Rede mineira lança modelo com máquinas automáticas segundo estimativa de payback entre 10 e 11 meses; meta é 3 mil equipamentos em dois anos.
A Cheirin Bão acaba de lançar uma microfranquia de máquinas de café automáticas, com investimento inicial a partir de R$ 80 mil e retorno estimado entre 10 e 11 meses segundo a rede1. O movimento sinaliza uma aposta calculada da rede para crescer fora do formato tradicional de loja, sem colocar em risco a receita de quem já opera uma unidade.
O modelo prevê a instalação dos equipamentos em empresas, escritórios, consultórios, indústrias e locais de grande circulação, oferecendo oito opções de produto, entre cafés coados, espressos, cappuccinos e chocolates quentes1. Para o candidato a franqueado, vale notar que o portfólio é concentrado, o que tende a simplificar a operação mas também a limitar o ticket médio por ponto.
Há duas modalidades de operação disponíveis1. Na locação, o franqueado prospecta os pontos e cuida do relacionamento comercial, enquanto os produtos são enviados diretamente ao local sem que ele precise abastecer as máquinas. Na operação direta, o franqueado assume o abastecimento e a gestão. Cada contrato permite operar até 30 máquinas. A manutenção dos equipamentos ficará sob responsabilidade da franqueadora, via rede de parceiros regionais, e a rede afirma que entre 80% e 85% dos problemas poderão ser resolvidos remotamente1. Quem avalia o modelo deve perguntar à franqueadora o que acontece nos casos que exigem visita presencial e qual é o prazo de atendimento garantido em contrato.
Lançado em 15 de setembro, o formato já somava 35 contratos assinados na data da reportagem, todos com atuais franqueados da rede1. A adesão restrita, até agora, a quem já conhece a marca por dentro pode sinalizar cautela da franqueadora e também atua como um filtro: quem chega de fora sem experiência prévia com a Cheirin Bão terá menos histórico disponível para avaliar a operação real.
A meta declarada pela companhia é instalar 3 mil máquinas no Brasil nos próximos dois anos, com foco em cidades onde a rede já tem lojas1. Para sustentar essa expansão, o CEO Wilton Bezerra projeta um investimento total de R$ 58 milhões pela franqueadora, sendo R$ 11 milhões nos primeiros 12 meses, R$ 38 milhões nos 24 meses seguintes e mais R$ 9 milhões no terceiro ano1. A maior parte do capital, segundo Bezerra, será destinada a equipamentos e à estruturação de equipes de suporte e manutenção1. Projeções de investimento são declarações da própria empresa e devem ser verificadas no processo de due diligence.
O café servido nas máquinas mantém a origem da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, com selo de denominação de origem, o mesmo padrão das lojas físicas1. A consistência de produto é um ativo de marca, mas o candidato deve questionar como a rede garante esse padrão à medida que o volume de pontos cresce e a logística se complexifica.
A COF, exigida por lei para toda franquia brasileira, traz dados como royalties, taxa de propaganda, prazo e situação financeira da franqueadora. O que ela costuma não formatar são informações como faturamento médio por máquina por localidade, custo real de prospecção de pontos e ROI por tipo de instalação. Essas perguntas precisam ser feitas diretamente à rede antes de assinar qualquer contrato. O modelo pode ser uma entrada acessível ao franchising, mas a atratividade real depende de dados que ainda não estão públicos.