A maior rede de bijuterias do Brasil estreia em Buenos Aires com duas unidades-piloto antes de definir o modelo de franquias para a América Latina.
A Morana inaugurou sua primeira loja fora do Brasil em Recoleta, Buenos Aires, dentro de uma joint venture com o Blue Star Group (BSG), grupo argentino controlador das marcas Todomoda e Isadora1. Uma segunda unidade na capital argentina está prevista para novembro, e ambas funcionam como operações-piloto antes de qualquer escala via franquias no país ou em outros mercados latino-americanos1.
O BSG carrega um ativo difícil de construir do zero: mais de 800 lojas na América Latina, presença em múltiplos países e cerca de 80 mil clientes por dia, com aproximadamente 300 operações concentradas na Argentina1. Para quem avalia uma rede com ambição regional, a Morana chega ao mercado argentino ancorada em um parceiro com escala consolidada na região.
A parceria é de mão dupla. Enquanto o BSG abre portas para a Morana na América Latina, a rede brasileira contribui com sua experiência em franchising e tropicalização para apoiar o crescimento de Todomoda e Isadora no Brasil1. Esse modelo de troca pode ser vantajoso, mas também torna a operação mais complexa do que uma expansão internacional tradicional, algo que o candidato às marcas do BSG no Brasil tende a querer entender antes de assinar qualquer contrato.
A fase-piloto consumiu mais de um ano de preparação, com pesquisas com consumidoras locais, grupos focais e análise de preferências de produto e comportamento de compra, além de adequação de equipe e operação ao mercado argentino1. O fundador Jae Ho Lee resume a postura adotada: "Entramos nesse mercado com muita humildade. Na Argentina, estamos começando a construir esse conhecimento"1. Aprender antes de escalar pode reduzir o risco de expansões prematuras, algo que importa para quem pensa em investir na rede.
Só depois de validar proposta de valor, experiência de compra e modelo operacional é que a marca pretende definir o ritmo de crescimento mais amplo na América Latina1. Lee compara o potencial da região ao do Brasil: "Eu costumo dizer que vejo a região como mais um Brasil, pelo tamanho e pelo potencial de consumo"1. A comparação é ambiciosa, e o candidato deve perguntar à rede quais mercados entrarão no radar após a Argentina e em que prazo.
A matéria não traz investimento inicial, royalties, prazo de contrato nem projeção de faturamento para franqueados. O candidato deve perguntar à franqueadora como a expansão internacional afeta o suporte destinado à rede doméstica, e se haverá oportunidades para franqueados brasileiros nos mercados que a marca pretende conquistar. Internacionalização bem estruturada pode fortalecer uma marca, mas o candidato precisa entender o modelo antes de decidir.