Michael Horowitz tentou 18 meses em search fund convencional, depois 18 meses em franquia, até comprar sete unidades da rede em Columbus, Ohio.
Uma busca de 18 meses sem nenhum negócio fechado1 foi o ponto de virada que levou Michael Horowitz a trocar a rota de aquisição convencional pela franquia. O percurso mostra uma escolha que candidatos raramente colocam na mesa, comprar unidades já em operação em vez de assinar contrato de franquia nova.
Horowitz saiu da Harvard Business School com um plano de search fund concentrado em Nova York. Os investidores tradicionais do modelo recusaram aportar capital, argumentando que a aposta geográfica era ruim1. Ele seguiu com recursos próprios e confirmou a resistência na prática. Após 18 meses e algumas empresas chegadas ao estágio de carta de intenção, nada se concretizou e o processo foi encerrado. Quem avalia uma rede deve notar que fechar a aquisição de uma unidade existente depende tanto da análise do negócio quanto da disponibilidade de capital e do perfil do território escolhido.
A virada veio por influência de ex-colegas de HBS que haviam comprado restaurantes Burger King e relatavam sucesso1. Horowitz e dois sócios conduziram uma segunda busca, também de 18 meses, até encontrar a oportunidade no segmento de franquias, a aquisição de um grupo de Wingstop em Columbus, Ohio1.
O detalhe operacional é relevante para quem pensa em multiunidade. O negócio adquirido não era grande o suficiente para remunerar três operadores ao mesmo tempo, o que levou os dois sócios a permanecerem em seus empregos em hedge funds enquanto Horowitz se mudou para Columbus e tocou a operação1. Essa divisão de papéis pode ser uma saída válida em estágios iniciais de crescimento, mas tende a criar assimetria de risco e de dedicação entre os sócios, ponto que vale levar à franqueadora ao verificar o perfil de operador que ela aceita.
O caso foi discutido no podcast Think Big Buy Small, da Harvard Business School, com os professores Rick Ruback e Royce Yudkoff1. A fonte não detalha investimento de entrada, múltiplo pago sobre faturamento existente, condições de transferência impostas pela franqueadora nem prazo remanescente do contrato original. São exatamente essas variáveis que o candidato precisa extrair diretamente da rede antes de qualquer decisão.
O caminho até a operação pode ser mais longo e custoso do que o cronograma inicial sugere, independentemente do modelo escolhido. A pergunta central permanece aberta: a rede que você avalia permite a transferência de unidades existentes, e em quais condições isso acontece?