A rede simplifica operações retirand o item de maior volume desde 2019, mas o CEO admite pressão nas vendas no curto prazo.
As vendas nas mesmas lojas da Popeyes caíram 2,2% no terceiro trimestre, sétimo recuo consecutivo1. Para tentar reverter a sequência negativa, a rede tomou uma decisão que parece contradizer o próprio diagnóstico: retirar as asas do cardápio, justamente o item mais bem-sucedido da marca desde o lançamento do sanduíche de frango em 20191.
O argumento da franqueadora é operacional: as asas aumentam a complexidade da cozinha, e o foco agora recai sobre o frango no osso, os tenders e o sanduíche. Em agosto de 2025, a própria rede havia ampliado o line-up de asas para três molhos e quatro dry rubs1. O recuo vem menos de um ano depois.
O CEO da controladora Restaurant Brands International, Josh Kobza, afirmou que a mudança vai adicionar alguma pressão nas vendas, mas classifica a decisão como o "trade-off certo para a saúde de longo prazo da marca"1. A companhia também reconheceu que a volta ao crescimento levará mais tempo do que o inicialmente previsto. Na mesma semana, o Chief Marketing Officer (CMO) Matt Rubin foi demitido após um ano no cargo1.
Para quem avalia uma franquia de food service, o episódio revela uma tensão clássica: itens de alto apelo podem criar gargalos que pesam na rentabilidade do franqueado. Uma simplificação de cardápio pode reduzir desperdício, acelerar o atendimento e aliviar a curva de treinamento, mas tende a comprimir o tíquete médio se o item retirado teve volume relevante. A própria Popeyes admite que a pressão nas vendas é real no curto prazo, o que torna a pergunta sobre o impacto nas receitas do franqueado ainda mais concreta.
A lacuna que a fonte não preenche é a que mais interessa a quem considera entrar na rede: como a mudança de cardápio afeta as projeções de faturamento por unidade, os custos operacionais e, em última análise, o prazo de retorno do investimento? Essas informações podem ser obtidas a partir do FDD (Franchise Disclosure Document) e dos documentos complementares da rede, e merecem ser confrontadas com o histórico recente de desempenho nas mesmas lojas. A simplificação pode ser o caminho certo, mas quem já opera ou está prestes a assinar o contrato carrega o ônus da transição.