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Notícia · Mercado Franquia

Reforma tributária exige dos franqueados gestão ativa, não só contábil

Com impactos em janeiro de 2027, multifranqueados dizem que adaptar a operação sem parar exige alinhamento da rede inteira, não apenas do departamento fiscal.

Redação Mercado Franquia·24 de set. de 2026 · 08:00·3 min de leitura·Redação MF · com IA
Reforma tributária exige dos franqueados gestão ativa, não só contábil

Os impactos da Reforma Tributária sobre as operações empresariais chegam em janeiro de 20271. Para redes de franquias, o prazo é o mesmo, mas a complexidade é maior: as alterações legais exigem alinhamento direto entre franqueadoras e franqueados quanto à estruturação do repasse de tributos1.

O tema dominou os debates do Somos Multi 2026, congresso voltado a franqueados e multifranqueados organizado pelo ecossistema CommUnit, que reuniu 1.105 empreendedores e profissionais do franchising em São Paulo1. No palco, quem opera múltiplas unidades foi direto: deixar a adaptação nas mãos apenas do departamento fiscal é um erro.

Antonio Henrique Brum, multifranqueado das marcas Adidas, Originals e Reserva à frente de 26 operações, defendeu que as mudanças tributárias precisam ser discutidas "não só com o contador, mas todo o time"1. André Rieger, multifranqueado de O Boticário, reforçou a postura ao afirmar que "não dá para delegar só para o contador", e descreveu o momento de ajustar a operação sem parar como estar "trocando a roda com o carro em movimento"1.

Quem entra numa rede agora herda esse processo de transição, e a franqueadora deveria já tê-lo em andamento. Bruno Arena, multifranqueado da Casa do Construtor com quatro unidades, resume a postura necessária: "Não tem como não fazer conta e não buscar essa profissionalização neste momento"1. José Carlos Araujo, sócio-diretor da BWA Global, acrescenta uma distinção que tende a ser subestimada: enquadramento formal não dispensa planejamento fiscal contínuo1.

No novo sistema surge o Simples Híbrido, modalidade em que o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) são recolhidos fora da guia única do DAS. O benefício é a possibilidade de aproveitar créditos tributários nas compras e de gerar créditos integrais para clientes que sejam outras empresas2. Mas nem sempre essa opção convém: dependendo de o modelo de negócio atender consumidor final ou outras empresas, o Lucro Presumido ou o regime regular podem ser mais vantajosos2. A simulação, portanto, é obrigatória.

O volume de empreendedores buscando essa simulação já é expressivo. O Simulador da Reforma Tributária do Sebrae ultrapassou 18.183 acessos nos primeiros 30 dias após o lançamento, com Empresas de Pequeno Porte liderando as consultas2. O Sebrae, a Receita Federal, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e a Fenacon formaram uma força-tarefa voltada à orientação de micro e pequenas empresas sobre as novas regras2, evidência de que a desinformação é risco real.

Simulações em 30 dias
18.183
acessos ao Simulador da Reforma Tributária do Sebrae
EPP no total de acessos
59,2%
empresas de pequeno porte lideram as consultas
Acessos na última semana
4.541
nos 7 dias anteriores à publicação
Fonte: Sebrae · set/2025

O Sebrae elencou cinco perguntas que todo empreendedor deve levar ao contador: qual o melhor regime tributário para o modelo de negócio; quais os códigos fiscais corretos para notas de produtos e serviços; se o sistema emissor de notas já suporta IBS e CBS; como aproveitar créditos tributários nas compras; e quais penalidades podem decorrer de erros de classificação2. Erros na classificação fiscal podem gerar dupla tributação2.

Para quem avalia entrar numa franquia, a pergunta prática é se a rede já mapeou o impacto da Reforma no repasse de tributos ao franqueado, se o modelo favorece o Simples Híbrido ou outro regime, e se o suporte oferecido inclui orientação tributária ou transfere esse ônus inteiramente para quem compra a unidade. Esse mapeamento não é item obrigatório da COF, mas é exatamente o dado que se deve exigir à franqueadora antes de assinar qualquer contrato. Redes que já têm esse processo em curso tendem a oferecer uma transição menos turbulenta; as que não começaram transferem esse ônus, silenciosamente, para quem assinar agora.

Faturamento por segmento ABF74,3saúde ebeleza51,8alimentação40,5serviços30,8moda28alimentação(comércio)21,2casa econstrução16,4educação14,2hotelaria eturismoFonte · ABF · 2025

Fontes

PEGN1set/2025
Sebrae2set/2025
Associação Brasileira de Franchising32025
reforma-tributariagestao-fiscalfranquiastributoscompliance

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