Nadeem Bajwa criou backoffice, central de atendimento e construtora para formar líderes nas lojas antes de abrir a próxima unidade.
Abrir a próxima unidade antes de garantir que a anterior funcione sem o dono é o erro mais comum entre franqueados em expansão1. A conclusão é de Nadeem Bajwa, multifranqueado com 276 lojas da Papa John's nos Estados Unidos e integrante do conselho consultivo da rede1. Para Bajwa, o verdadeiro limitador do crescimento não é capital, é a ausência de líderes treinados para assumir o dia a dia sem dependência do franqueado.
A trajetória dele ilustra os dois lados desse aprendizado. Bajwa chegou aos EUA em 1991, aos 21 anos, e foi de entregador de pizza a gerente-geral antes de abrir sua primeira unidade da Papa John's em 2002, em East Liverpool, Ohio1. Sem histórico de crédito americano, reuniu recursos de familiares, amigos e um empréstimo bancário; a própria franqueadora autorizou a compra de equipamentos usados de uma pizzaria que havia encerrado as atividades1. A postura da franqueadora diante de um franqueado sem garantias tradicionais pode ser um sinal do tipo de parceria que a rede pratica, e vale perguntar à rede que você avalia como ela trata situações similares.
O crescimento inicial foi rápido e problemático. Após abrir cinco unidades em um ano e meio, os indicadores se deterioraram porque não havia estrutura de suporte nem lideranças formadas1. A resposta de Bajwa foi construir o que faltava. Convenceu um irmão a abrir um escritório de contabilidade no Paquistão, dando início a um backoffice que hoje atende a quase 2 mil restaurantes de 15 marcas diferentes1. O que nasceu como solução interna virou negócio próprio, padrão que tende a aparecer quando o franqueado resolve problemas em vez de apenas reportá-los à franqueadora.
Uma central de atendimentos criada para as próprias lojas tornou Bajwa fornecedor da Papa John's, atendendo a cerca de 2,5 mil restaurantes em quatro países1. Uma empresa de tecnologia e uma construtora completam o portfólio1. Para quem avalia entrar em franquias do segmento de alimentação, o caso sugere que as estruturas de suporte (contabilidade, tecnologia, operações) podem tanto ser custos fixos quanto, eventualmente, fontes de receita. Mas isso depende de escala e de um perfil empreendedor que vai muito além da operação da loja.
A lógica que guiou a expansão de Bajwa das primeiras unidades para mais de 200 foi, segundo ele, a retenção de talentos. Gerentes promissores pediam perspectiva de carreira, e a resposta foi crescer para criar os cargos que eles almejavam1. Suas metas passaram de dez para 50, depois 100 e, finalmente, mais de 200 unidades, e o empresário afirma querer chegar a 5001. Hoje, profissionais que começaram como pizzaiolos administram dezenas de unidades no grupo1.
A Papa John's tem mais de 5 mil lojas em diversos países1. A fonte não traz dados sobre o modelo de expansão da rede no Brasil, nem investimento inicial, royalties ou prazo de contrato praticados por aqui, informações que a COF da rede contém e que precisam ser solicitadas diretamente à franqueadora. O caso de Bajwa não é um roteiro replicável sem essas variáveis, mas a pergunta que ele deixa é objetiva: antes de assinar uma segunda unidade, sua franqueadora tem um plano de sucessão junto com você, ou essa responsabilidade cai inteira no seu colo? Crescimento sem liderança formada não é expansão, é risco multiplicado.