As três redes seguem operando, mas franqueados devem verificar garantias contratuais de suporte e abastecimento durante o processo.
Com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões1, o Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendall, teve seu pedido de recuperação judicial deferido pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O pedido foi ajuizado em 24 de agosto de 20261. Para o candidato a franqueado que avalia redes do segmento de alimentação, o caso sinaliza que solidez de marca e longevidade no mercado não eliminam o risco financeiro da franqueadora.
O próprio grupo reconheceu que seu endividamento bancário supera R$ 300 milhões1; a diferença em relação ao passivo declarado no processo refere-se a cessões de recebíveis e investimentos dados em garantia aos bancos, as chamadas travas bancárias, que, por lei, ficam fora dos efeitos da recuperação judicial. O juiz negou o pedido do Gennius para liberar esses recebíveis, mantendo a retenção pelos bancos1.
A crise não é recente. A rede chegou a operar 600 lojas e a faturar cerca de 3 bilhões de reais por ano por volta de 20102. O pedido de RJ vem dois meses após o grupo obter uma tutela cautelar de 60 dias para negociar com credores sem processo judicial; sem acordo, recorreu à recuperação1. Na petição, o Gennius apontou a pandemia de Covid-19, a mudança nos hábitos de consumo com a expansão do delivery e a alta dos juros como causas da deterioração financeira1.
O processo envolve 178 empresas ligadas ao conglomerado, incluindo dez franqueadoras e holdings e 17 sociedades operacionais2. A administração judicial ficou a cargo da KPMG Corporate Finance, que tem 15 dias para entregar relatório sobre a situação do grupo e avaliar se as empresas podem ser tratadas de forma consolidada1. O grupo tem prazo improrrogável de 60 dias para apresentar o plano de recuperação; se descumprir, o processo pode ser convertido em falência1.
Segundo especialistas ouvidos pela PEGN, não há impactos imediatos sobre os franqueados1. O grupo afirma que as unidades franqueadas não fazem parte do processo e que as operações seguem normalmente1. A decisão judicial também determinou que credores não podem suspender contratos ou interromper o fornecimento de insumos essenciais apenas em razão do ajuizamento da recuperação1. Ainda assim, especialistas indicam que franqueados devem acompanhar a evolução do suporte operacional e do abastecimento de insumos1.
Para quem avalia entrar em uma rede com franqueadora sob recuperação judicial, o ponto crítico é a continuidade do suporte prometido no contrato: treinamento, tecnologia, central de compras e marketing podem ser afetados conforme o processo avança. Antes de qualquer decisão, o candidato deve perguntar diretamente à rede como a recuperação judicial afeta os repasses de suporte, se há alteração nas condições de fornecimento de insumos e qual garantia contratual existe caso o plano de reestruturação não seja aprovado pelos credores.