A rede paulista de gelato mantém expansão mesmo no inverno, com investimento inicial de R$ 790 mil e retorno estimado em 30 meses.
Com 315 contratos assinados e 60 unidades ainda em fase de implantação1, a Gelato Borelli opera em um ritmo que poucos segmentos sustentam no inverno, seis a oito inaugurações mensais. A meta declarada pela rede é encerrar 2026 com 300 lojas abertas e faturamento de R$ 650 milhões1.
Fundada em 2013 em Ribeirão Preto (SP) pela família Borelli1, a marca passou por uma virada de gestão há três anos e meio, quando o executivo Antonio Miranda assumiu a operação com foco em profissionalizar a expansão sem desfigurar a identidade construída pela família. Miranda deixa claro que seu papel é o de gestor contratado, não de fundador, distinção que tende a importar ao candidato a franqueado, pois sinaliza uma estrutura onde família e gestão profissional coexistem. Saber como as decisões são tomadas nesse arranjo é uma pergunta legítima a levar à franqueadora.
O modelo de crescimento apoia-se integralmente em franquias. Segundo Miranda, operar com empresários locais à frente de cada unidade acelera a abertura de lojas sem exigir capital próprio da controladora para cada ponto1. Para quem avalia entrar na rede, o investimento inicial está fixado em R$ 790 mil, com prazo de retorno estimado entre 24 e 30 meses, e rentabilidade líquida declarada pela rede em torno de 20% do faturamento1. Esses números vêm da própria franqueadora; a COF obriga a divulgação de royalties, taxa de publicidade, prazo contratual e situação financeira, mas o histórico de maturação das unidades e o ROI por praça podem ser obtidos a partir da COF e dos documentos complementares da rede. Vale pedir à Borelli projeções abertas por formato de loja.
O portfólio atual divide-se em dois formatos com lógicas de consumo distintas: metade das lojas em shoppings, onde o cliente é capturado em circulação, e metade em pontos de rua, que funcionam mais como destino1. Para o candidato, essa dualidade pode implicar perfis de investimento, fluxo e ticket médio bem diferentes entre si, algo que a fonte não detalha e que merece apuração direta junto à franqueadora.
A estrutura produtiva por trás da expansão fica na Casa do Sabor, unidade de 7 mil metros quadrados em Cravinhos (SP), com 5.400 metros quadrados já construídos e expansão recente de 1.200 metros quadrados1. O investimento na fábrica superou "uma dezena de milhões de reais", segundo Miranda, financiado com recursos próprios dos sócios controladores, sem endividamento declarado pela rede1. A capacidade instalada, caso totalmente utilizada, poderia atender entre 500 e 700 lojas, afirma o executivo1, folga considerável em relação à meta atual. Para o franqueado, fábrica própria com essa capacidade pode significar maior previsibilidade de abastecimento, embora a dependência de fornecedor único também concentre risco operacional em caso de interrupção.
O argumento central da rede no mercado premium é o gelato fresco, com ciclo de produção diferente do sorvete tradicional de longa validade1. Esse posicionamento tende a sustentar ticket médio mais alto, mas pode exigir giro constante para evitar desperdício, variável que o candidato deve explorar ao analisar a operação diária de cada formato. A aposta da Borelli é que velocidade de abertura e controle de insumos caminham juntos; ao franqueado cabe verificar se essa equação se sustenta na praça onde pretende operar.