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Varejo recua 0,8% em julho e pressiona redes que dependem de financiamento

Queda surpreendeu analistas; móveis e eletrodomésticos caíram 4,9%, acendendo alerta para franquias do segmento em ambiente de Selic alta.

Redação Mercado Franquia·23 de set. de 2026 · 03:00·3 min de leitura
Varejo recua 0,8% em julho e pressiona redes que dependem de financiamento

O varejo brasileiro recuou 0,8% em julho na comparação com junho1, número que ficou abaixo até mesmo da projeção mais pessimista dos analistas consultados pelo jornal Valor, que estimavam recuo de apenas 0,1%1. Para quem avalia uma franquia cujo modelo de venda depende de crédito ao consumidor, esse descompasso entre expectativa e resultado é o dado mais importante da divulgação.

Varejo restrito (jul/jun)
-0,8%
pior que a projeção mínima de -0,5%
Móveis e eletrodomésticos (jul/jun)
-4,9%
pior desempenho entre os 8 grupos
Varejo restrito (jul × jul a.a.)
+1,2%
ante +2,8% registrado em junho
Fonte: PEGN · IBGE · jul/2025

O segmento de móveis e eletrodomésticos registrou a maior queda entre os oito grupos pesquisados, com recuo de 4,9% na passagem de junho para julho1. Esse é justamente o setor que costuma depender de parcelamento para fechar vendas, e a Selic permanece em 14% ao ano1. Redes de varejo que operam nessa categoria tendem a sentir a pressão de forma mais imediata, já que o tíquete médio raramente é pago à vista pelo consumidor final.

A queda de 0,2% em hiper e supermercados também chamou atenção porque ocorreu em um mês com deflação nos preços de alimentos no IPCA1. Segundo o economista Matheus Pizzani, do PicPay, os dados sugerem perda de fôlego do consumo das famílias, atribuída ao patamar restritivo dos juros, ao crescimento do endividamento e ao menor nível de renda disponível1. Quando até um cenário de alimentos mais baratos não sustenta as vendas do principal segmento do varejo, a restrição parece vir do lado da renda e do crédito, não dos preços.

No varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado de bebidas e alimentos, houve alta de 0,4% sobre junho1. A comparação anual, porém, também perdeu força, com crescimento de 1,8% ante julho do ano passado, contra 4,9% registrados em junho na mesma base1. Franquias de material de construção ou de atacarejo podem estar em terreno ligeiramente menos hostil neste momento, mas a tendência de desaceleração anual vale como alerta para qualquer rede do varejo físico.

O quadro de juros tem perspectiva de mudança, ainda que gradual. Analistas esperavam corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom que se encerrava na quarta-feira, levando a taxa para 13,75% ao ano1. Eliminada a frase inteira.1. Qualquer que seja o ritmo, cortes graduais tendem a aliviar o custo do financiamento ao longo do tempo, mas sem data certa para se traduzir em crescimento de vendas nas unidades.

Para o candidato a franqueado que avalia redes sensíveis ao crédito, a pergunta que a fonte não responde é direta: qual é o histórico de faturamento por unidade nos últimos dois anos, período em que os juros permaneceram restritivos? Payback real por praça e ROI por unidade precisam ser pedidos explicitamente à franqueadora. Entender como a rede performou num ciclo de juro alto é a melhor forma de calibrar o que esperar quando ele eventualmente ceder.

Faturamento por segmento ABF, em R$ bi
  1. Saúde e beleza74,3
  2. Alimentação51,8
  3. Serviços40,5
  4. Moda30,8
  5. Alimentação (comércio)28
  6. Casa e construção21,2
  7. Educação16,4
  8. Hotelaria e turismo14,2
Fonte · ABF · 2025

Fontes

PEGN1jul/2025
Associação Brasileira de Franchising22025