Chiquinho investe R$ 80 milhões em infraestrutura logística para suportar 2.500 unidades; redes que crescem além da capacidade transferem risco ao franqueado.
Uma rede com mais de 1 mil lojas operando a partir de um centro de distribuição projetado para 300 unidades funciona, na prática, como uma operação no limite. Foi exatamente esse gargalo que a Chiquinho carregou por anos, e que agora tenta resolver com R$ 80 milhões em infraestrutura logística, segundo reportagem da PEGN (05/08/2026). Para quem avalia franquias de alimentação de médio e grande porte, o movimento é um termômetro: o que a rede entrega ao franqueado depende diretamente do que ela consegue movimentar antes de o produto chegar à loja.
O antigo centro de distribuição, em Mirassol (SP), entrou em operação em 2015, quando a rede era muito menor. O espaço nunca foi concebido para o volume atual, e Isaías Bernardes de Oliveira, fundador e presidente da Chiquinho, admite que o gargalo de gestão se arrastava desde 2018, agravado pelo fato de as sete empresas do Grupo CHQ funcionarem em endereços diferentes. Centralizar era uma questão operacional antes de ser uma ambição estratégica.
A solução escolhida foi a compra, em 2021, da área de um antigo clube em São José do Rio Preto (SP), a 442 km da capital. O novo megacomplexo, batizado de Cidade Chiquinho, teve sua primeira fase concluída com 22 mil m² construídos. Dos 22 mil m², 15 mil m² são destinados ao novo Centro de Distribuição, operado pela OLP Logística, empresa do próprio grupo. O restante abriga escritórios, oficina mecânica, lava-jato e refeitório corporativo. A segunda fase, que deve adicionar 9 mil m², está prevista para começar ainda neste ano.
A escala da operação logística ajuda a entender por que o investimento é dessa magnitude. Entre janeiro de 2025 e o primeiro quadrimestre de 2026, a OLP Logística movimentou mais de 23,3 milhões de quilos em mercadorias e realizou mais de 28,3 mil entregas. A frota percorreu em média 260 mil quilômetros por mês, totalizando mais de 4,1 milhões de quilômetros no período. As rotas ativas saltaram de 7 para 25, com outras 15 em implantação.
Logística própria nessa escala é decisão estratégica, não detalhe operacional.
O novo CD opera com conceito de cross-docking: produtos recebidos de fornecedores seguem diretamente para expedição, sem estoque intermediário. Segundo Davi Freitas, gerente da OLP Logística, a estrutura foi dimensionada não só para a demanda atual, mas para os próximos ciclos de crescimento. A capacidade instalada agora suporta até 2.500 unidades, mais que o dobro da rede atual. A escolha de São José do Rio Preto também teve peso estratégico: a cidade é apontada pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM 2025) como a 4ª mais desenvolvida do estado de São Paulo e a 8ª do país, com acesso a aeroporto, universidades e às principais rodovias nacionais.
Para quem avalia franquias de alimentação e quer saber se a rede suporta crescimento acelerado, o caso da Chiquinho levanta uma pergunta que a maioria das redes não responde espontaneamente: qual é a capacidade logística instalada hoje, e em quantas unidades ela trava? A capacidade do centro de distribuição, os critérios de abastecimento por região e o histórico de gargalos são informações que o candidato precisa exigir diretamente da franqueadora. Uma rede que cresceu além da sua logística entrega ao franqueado um risco que não aparece no contrato.