Pesquisa ABF com 62 redes mostra que medicamentos emagrecedores já forçam redução de porções e retirada de itens, enquanto setor bate recordes de faturamento.
Cinquenta e três por cento das franquias de alimentação no Brasil reformularam o cardápio em resposta ao uso de medicamentos GLP-11. O dado vem da Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, conduzida pela Associação Brasileira de Franchising em parceria com a consultoria Galunion, e analisou 62 redes que somam quase 16 mil pontos de venda1. Cinquenta e três por cento dessas redes fizeram modificações no menu em resposta a mudanças no comportamento dos consumidores que usam medicamentos GLP-11.
As adaptações revelam para onde o apetite, em sentido literal, está migrando. Entre as redes que ajustaram a oferta, 52% priorizaram itens com apelo saudável, 48% incluíram opções mais leves, 36% ampliaram pratos com alto teor de proteína e 30% reduziram o tamanho das porções1. Para quem avalia comprar uma franquia de alimentação, isso sinaliza que o padrão operacional de uma rede pode estar em transição. Produtos que sustentavam o ticket médio ontem podem perder espaço para versões menores ou de menor caloria amanhã.
A movimentação vai além do prato. Sessenta e um por cento das redes reorganizaram menus digitais, 56% reduziram o total de itens e 55% investiram em produtos de receita própria1. Menos itens no cardápio podem simplificar a operação da unidade, mas também tendem a estreitar a margem de personalização que o franqueado tem sobre o mix. Antes de assinar qualquer contrato, vale perguntar à franqueadora como essas revisões de cardápio são comunicadas e implementadas nas unidades em funcionamento.
Esse processo de adaptação acontece enquanto o setor registra expansão financeira expressiva. O faturamento do franchising de alimentação atingiu R$ 79,862 bilhões em 2025, alta de 15,6% sobre 2024, e o volume de unidades cresceu 3,1% no mesmo período1. No primeiro trimestre de 2026, a receita subiu 14,4% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior1. Lucratividade também aparece no levantamento. 94% das redes consultadas declararam lucro no último ano, sendo que 66% afirmaram margem líquida superior a 10% e 32% acima de 15%1. A pesquisa apresenta esses dados como declaração das próprias redes, não como auditoria independente.
O delivery segue estrutural para o segmento. Presente em 90% das redes, o canal responde, em média, por 22,5% do faturamento; para 10% das marcas, já representa mais de 50% da receita1. Isso coloca a logística de entrega no centro da rentabilidade de qualquer unidade e pode influenciar diretamente a escolha de ponto e o modelo de loja que o franqueado vai operar.
Para 2026, os planos de investimento das redes apontam marketing e fidelização como prioridade para 81% delas, seguidos por suprimentos, compras e logística para 69%, e inteligência artificial para gestão do conhecimento para 56%1. No lado das pessoas, reter colaboradores é a maior dificuldade operacional declarada por 87% das franqueadoras, que respondem com premiações por metas (73%), programas de treinamento (71%) e novos benefícios (60%)1. Alta rotatividade de equipe é um custo que recai diretamente sobre a operação do franqueado, e saber como a rede apoia a retenção é uma pergunta que não está formatada na COF e precisa ser feita diretamente à franqueadora.
Em relação a formatos de expansão, quiosques e pontos avançados lideram as preferências das redes (50%), seguidos por locais não tradicionais (39%) e modelos com menu reduzido (37%)1. Formatos menores podem significar investimento inicial menor, mas também podem implicar restrições de mix e de volume. O candidato que avalia uma rede em expansão tende a se beneficiar ao perguntar qual formato estará disponível em qual praça e com qual projeção de faturamento para aquele modelo específico, dados que a pesquisa setorial não desagrega por unidade.
Para quem avalia entrar no franchising de alimentação, o ponto crítico não é o crescimento setorial, mas saber se a rede consegue adaptar cardápio, logística e equipe com agilidade: essas capacidades definem se a rentabilidade da unidade vai sobreviver às mudanças de consumo que a pesquisa documenta.