Com estruturas de R$ 5,5 milhões a operações recorrentes, redes apostam em vitrines de marca, mas franqueados precisam cobrar dados sobre ganho mensal pós-evento.
O Grupo Impettus vai investir R$ 5,5 milhões na participação no Rock in Rio 2026 e projeta faturamento superior a R$ 6 milhões em vendas durante o festival1. Três marcas do grupo estarão presentes, Espetto Carioca, Sirène e Mané, somando 10 pontos de venda e 422 colaboradores. Essa escala revela uma aposta que vai muito além de vender espetinho ou hamburguer num fim de semana, eventos de grande porte podem funcionar como vitrine de marca, mas exigem capacidade operacional e financeira que nem todo franqueado estará apto a assumir.
Arianne Bastos, diretora de expansão do Grupo Impettus, afirma que o desempenho será acompanhado por múltiplos indicadores, volume de pedidos, ticket médio estimado em R$ 36 e performance por categoria de produto1. O Sirène, especializado em frutos do mar, estreia no festival pouco mais de um ano após ser adquirido pelo grupo; já o Mané passa a comercializar hambúrgueres pela primeira vez no evento. Mudanças de portfólio em contexto de alta exposição podem acelerar o aprendizado sobre o consumidor, mas também concentram riscos em uma janela operacional curta e intensa.
O Bob's, presente no Rock in Rio desde 19851, preparou para 2026 a maior estrutura de sua história no festival. Segundo Antônio Detsi, diretor-geral da rede, o número de frentes de atendimento cresceu 40% em relação a 2024, distribuídas em quatro pontos de venda. A projeção é consumir cerca de 25 toneladas de hambúrgueres, três toneladas de batatas e 30 mil litros de milk shakes ao longo do evento, conforme a rede afirma1. Essa escala ilustra o tipo de operação que um franqueado selecionado para esse ambiente precisa sustentar.
A operação de 2026 conta com o mesmo franqueado que conduziu o Bob's no The Town em 2025, segundo a rede afirma1. A empresa não divulga o valor investido no festival. Quando a rede opta por um operador recorrente em eventos estratégicos, vale entender como funciona o processo de seleção, quais obrigações contratuais surgem para o franqueado escalado e como os resultados são partilhados. São itens que a COF deve detalhar, mas cujo desdobramento prático em eventos de grande porte merece apuração direta com a franqueadora.
A dimensão de construção de marca também está no centro das estratégias. O Bob's afirma usar o festival para ampliar seu programa de fidelidade, que já conta com mais de 4 milhões de cadastrados, por meio de ativações como um painel de LED de mais de 18 metros com QR Code1. O Rock in Rio atrai cerca de 100 mil pessoas por dia, segundo a organização do evento1, o que torna a exposição de marca inegavelmente ampla. A pergunta que o candidato deve levar à franqueadora é se esse ganho de visibilidade se traduz em retorno mensurável para as unidades franqueadas fora do evento, ou se o principal beneficiário é a própria rede. Cabe ao franqueado exigir da rede dados concretos sobre o retorno mensurável das ativações de Rock in Rio nas vendas das unidades fora do festival, não apenas projeções de exposição de marca. Sem esse recorte, é impossível saber se o festival é um ativo compartilhado ou um investimento cujos ganhos ficam concentrados na rede.