Com 293 unidades fora das capitais, a rede adapta relacionamento e recrutamento à escala local, mas payback real segue opaco para candidatos.
A unidade de Caetité (BA) fechou 280 contratos de ortodontia em apenas 15 dias, quando a meta para os três primeiros meses era de 150 pacientes1. O resultado resume uma aposta que a OrthoDontic vem construindo há anos: cidades consideradas mercados secundários podem surpreender quando o modelo encontra aderência local.
A maior rede de ortodontia do país opera com cerca de 350 unidades distribuídas por 281 municípios brasileiros, sendo 293 delas fora das capitais1. São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram a maior presença da marca. A menor praça é Rodeio (SC), com pouco mais de 12 mil habitantes, e ao todo 24 municípios com menos de 50 mil moradores já contam com uma unidade1.
Operar esse mapa descentralizado não é trivial. Camila Stocco, gerente de Expansão e Implantação da OrthoDontic, afirma que os processos são os mesmos em qualquer praça, mas "a forma de se relacionar com cada comunidade muda bastante"1. Em grandes centros, a captação apoia-se em campanhas digitais de maior alcance. Nos municípios menores, ganham peso parcerias com o comércio local, eventos comunitários e o relacionamento com influenciadores regionais.
Essa distinção tem implicação direta para quem avalia uma franquia nesse segmento. Em mercados pequenos, a competência de relacionamento hiperlocal pode ser tão decisiva quanto o capital inicial, e o franqueado tende a ser o principal ativo de aquisição de pacientes. O perfil do candidato, e não apenas o ponto comercial, passa a ser uma variável crítica.
A unidade de Caetité, aberta em 2023, atende hoje aproximadamente 2 mil pacientes por mês e emprega 19 pessoas, segundo a rede1. A OrthoDontic afirma que a clínica se consolidou como referência regional em saúde bucal. O caso reforça internamente que o tamanho populacional de uma cidade não define sozinho o potencial da praça; ausência de concorrência especializada e demanda reprimida também pesam na equação.
O movimento da rede acompanha uma tendência mais ampla. As franquias brasileiras já estão presentes em 69% dos municípios do país, ante 61% em 2024, e a ABF colocou a interiorização entre as principais tendências do setor para 20261.
Para o candidato que mira uma praça interiorana, a pergunta à franqueadora é: qual o payback real em cidades de diferentes portes, quais critérios a rede usa para aprovar uma nova praça e como o suporte de marketing nacional se traduz em ações locais quando a audiência digital é limitada. Caetité mostra que a surpresa pode ser positiva, mas o que, no modelo, permite repetir esse resultado?