Com R$ 500 milhões em faturamento e expansão mais seletiva, a rede reequilibra crescimento entre novos pontos e fortalecimento dos franqueados que já operam.
Faturar R$ 500 milhões em 20251 não freou a Mundo Verde, mas tornou sua expansão mais criteriosa. A rede carioca, que nasceu em 1987 em Petrópolis vendendo arroz integral e chás, tem hoje 170 franquias e oito lojas próprias em operação1 e prepara um novo ciclo com olho tanto nos números do futuro quanto na saúde financeira do presente.
O plano prevê 25 novas unidades inauguradas até meados de 20271. Desse total, dez já foram abertas em 2026 e mais duas ou três devem ser concluídas ainda neste ano, segundo a CEO Ana Paula Seixas. Para quem avalia entrar na rede, o ritmo moderado pode ser lido como sinal de que a franqueadora prefere solidez operacional a volume puro, mas o pipeline fechado também significa que as janelas de negociação tendem a ser disputadas.
A projeção de crescimento de receita para 2026 é de 12%1. A CEO cita Selic elevada e ano eleitoral como variáveis externas que afetam o franchising e justificam o passo mais cauteloso. Para o candidato a franqueado, esses mesmos fatores valem como lembrete de que o custo de financiamento do investimento inicial precisa entrar na conta antes de qualquer decisão.
Entrar na rede exige investimento inicial entre R$ 250 mil, para operações de cerca de 40 metros quadrados, e aproximadamente R$ 450 mil em lojas maiores, que podem chegar a 200 metros quadrados1. Segundo a CEO, o retorno sobre o investimento pode ocorrer entre 18 e 24 meses, com rentabilidade estimada entre 15% e 18%, podendo alcançar 20% dependendo do mercado1. Esses números partem da própria rede, e vale pedir à franqueadora os dados segregados por praça e por porte de loja antes de tomar o intervalo como referência para o seu caso específico.
A geografia do próximo ciclo concentra esforços nas regiões Norte e Nordeste, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Sul1. Há três unidades em desenvolvimento no Norte e Nordeste, uma no Sul, duas em São Paulo e duas no Rio de Janeiro, segundo a executiva. Regiões ainda sem cobertura da rede podem representar oportunidade, mas tendem a exigir do franqueado maior esforço de formação de mercado local.
Um traço relevante da estratégia atual é o estímulo à expansão de quem já opera dentro da rede. A Mundo Verde diz preferir que franqueados com uma ou duas unidades assumam mais pontos em suas próprias regiões, em vez de recrutar apenas novos entrantes1. Para quem está do lado de fora, isso pode reduzir a oferta de territórios atrativos e torna fundamental perguntar à franqueadora quais praças ainda estão disponíveis e em que condições.
A expansão caminha junto com modernização das unidades existentes: reformas de pontos de venda, crescimento da marca própria e novos formatos para acompanhar mudanças no consumo1. As lojas próprias funcionam como laboratório para testar produtos e formatos antes de levá-los aos franqueados, o que pode ser vantagem para quem ingressa depois que um modelo já foi validado internamente.
O contexto competitivo mudou consideravelmente desde que a rede foi fundada. Suplementos como creatina, whey protein, colágeno, ômega 3 e psyllium lideram as vendas hoje1, mas o mesmo mercado que cresceu atraiu supermercados, farmácias, marketplaces e lojas de conveniência para o mesmo território. A rede reconhece que parte do portfólio que a diferenciava há décadas perdeu exclusividade. A pergunta que fica para o candidato é como a franqueadora pretende sustentar a diferenciação da loja física num ambiente em que o produto saudável está em todo lugar.
A COF entregue pela Mundo Verde traz royalties, taxa de franquia, taxa de propaganda, prazo e situação financeira da rede (itens obrigatórios da Lei 13.966/2019). O que não está formatado ali e pode ser obtido a partir da COF e dos documentos complementares da rede é o payback real por praça específica e o ROI por porte de unidade. Levar essa pergunta para a mesa de negociação é o próximo passo antes de qualquer compromisso.