Rede temática sob holding do Johnny Rockets reconheceu limites operacionais, encerrou unidade em Goiânia e abrirá duas lojas-laboratório em SP antes de vender franquias.
Com faturamento de R$ 24 milhões em 20251, o Vassoura Quebrada, rede de restaurantes temáticos de magia e bruxaria, anuncia que retomará a expansão por franquias em 2027, dois anos depois do plano original. A demora é declarada como estratégia, e entender os motivos pode dizer muito a quem considera investir no segmento temático.
Fundada em 2018 em Perdizes, São Paulo1, a rede opera hoje cinco unidades no estado e, integra o portfólio da Antaris Foods Brands Franchising desde outubro de 2024, holding detentora de marcas como Johnny Rockets, Cuor di Crema e Boulangerie Carioca1. Para Alexandre Silva, fundador e diretor de marketing da rede, a chegada de um sócio com histórico em franquias foi a resposta à necessidade de escalar com estrutura profissional.
O que freou a expansão antes disso foi uma combinação de fatores. O plano anunciado em 2024 previa cinco novas lojas já em 20251, mas nenhuma abriu. Antônio Augusto Ribeiro de Souza, CEO da Antaris, atribui o recuo ao que descreve como um momento 'conturbado' no mercado temático, com novos concorrentes, mudanças de comportamento do consumidor e um ambiente de juros e pré-eleições que alterou o apetite de investidores1. A rede também encerrou sua única unidade fora de São Paulo, em Goiânia, após reconhecer que ainda não tinha maturidade para gerir operações a longa distância1.
Para o candidato a franqueado, esse histórico importa. Uma rede que identifica os próprios limites operacionais e pausa para corrigi-los tende a chegar ao momento de venda de franquias com processos mais testados. Mas a transparência sobre o que ainda está sendo ajustado é igualmente relevante, e a fonte deixa alguns pontos em aberto.
Antes de abrir franquias, o Vassoura Quebrada prevê inaugurar duas novas lojas próprias em São Paulo ainda em 2026, uma no Tatuapé e outra no Shopping SP Market, além da unidade que chegou a Jundiaí no primeiro semestre deste ano1. A estratégia declarada por Souza é operar essas unidades exatamente como se fossem franquias, ganhando assertividade no modelo antes de transferi-lo a terceiros1.
O CEO destaca ainda um ponto que diferencia o segmento temático dos demais. A tematização vai além da operação e do investimento em estrutura física (capex), dependendo de variáveis locais como tamanho do espaço e intensidade da ambientação, o que torna a padronização mais complexa1. Para uma rede que ainda está definindo quanto 'pode voar', como o próprio Souza coloca, isso significa que o formato de franquia entregue em 2027 pode ser diferente do que existe hoje.
O que a fonte não traz é justamente o que o candidato precisará negociar diretamente. Investimento total por unidade franqueada, taxa de franquia, royalties, taxa de marketing, prazo de contrato e critérios de seleção de praça não aparecem na notícia. Vale também perguntar como a rede pretende dar suporte a franqueados fora de São Paulo, dado que a experiência de Goiânia terminou com o encerramento da unidade.
Uma rede que pausou, corrigiu rota e escolheu abrir lojas-laboratório antes de vender franquias pode entregar um modelo mais sólido, mas a solidez só se confirma quando os números do franqueado, e não apenas os da rede, aparecem na conversa.