Visitas por unidade seguiram negativas em base anual até setembro, dois meses após encerramento oficial do surto de cyclospora, segundo dados do Placer.ai.
O tráfego do Taco Bell caiu 12,2% por unidade em base anual entre 6 de julho e 11 de setembro, período que vai do primeiro noticiário sobre o surto de cyclospora até a declaração oficial de encerramento pelo CDC1. O número deixa claro que reconquistar o cliente é um processo mais lento do que conter o problema sanitário em si.
O gatilho foi um surto ligado à alface americana fornecida pela Taylor Farms, que adoeceu quase 20 mil pessoas em todo o país a partir de julho1. A rede retirou alface, mix de coentro com cebola e pico de gallo logo no início da crise, mas o movimento não impediu que o tráfego recuasse 18,1% até 15 de julho e chegasse a -30,9% apenas dois dias depois, na comparação com a própria média da rede no início do ano1.
Para tentar reverter o movimento, a rede apostou em promoções de preço. O Enchirito, normalmente vendido por cerca de US$ 4,29, e o Mexican Pizza, por volta de US$ 5,69, foram oferecidos por US$ 1 cada1. Ainda assim, as visitas encerraram o período no negativo, o que sugere que desconto pode reduzir a barreira financeira, mas não necessariamente dissolve a desconfiança do consumidor quando o tema é segurança alimentar.
Concorrentes de fast-casual como Chipotle, Sweetgreen e Cava tiveram desempenho acima da categoria durante o mesmo período, segundo R.J. Hottovy, chefe de pesquisa analítica da Placer.ai1. Isso indica que o impacto não foi uniforme: redes com imagem mais ligada a ingredientes frescos podem ter captado parte dos clientes que abandonaram o Taco Bell temporariamente.
A controladora Yum! Brands mantém tom otimista. A controladora reconheceu que a recuperação segue no curso esperado, mas ainda não era hora de comemorar1. A rede afirma ter confiança no potencial de longo prazo da marca.
Para quem avalia uma franquia no setor de alimentação, o episódio coloca uma pergunta concreta: quais mecanismos de suporte financeiro existem para o franqueado em períodos de queda de tráfego provocada por fatores externos à sua operação? A resposta raramente está delineada no contrato com a franqueadora, ou está tão genérica que a velocidade da recuperação acaba dependendo mais de força bruta da marca do que de proteção estruturada na unidade.