Com 110 franquias ativas e formato Light para cidades de até 250 mil habitantes, a rede reduz ritmo de aberturas para manter posicionamento premium.
A Reserva opera hoje com 195 unidades no Brasil, sendo 110 franquias e 85 lojas próprias1, e já tem um plano claro para o próximo passo: nove inaugurações até o fim de 2025 e a marca de 200 lojas cruzada ainda este ano1. Quem avalia entrar para a rede encontra uma franqueadora que, na prática, está desacelerando o volume de aberturas para priorizar onde e como a marca aparece.
Essa escolha tem número: a companhia, que chegou a projetar até 20 inaugurações de franquias por ano, trabalha atualmente com oito a dez aberturas anuais nesse canal1. Para Juliana Almeida, diretora de B2B da Reserva, a lógica é que a expansão só ocorre em praças com potencial real de faturamento, preservação da percepção premium e padrão de experiência compatível com a rede. Para o candidato a franqueado, isso significa que a aprovação da praça tende a ser critério tão relevante quanto o perfil financeiro do investidor.
As franquias respondem hoje por cerca de 14% do faturamento da Reserva, e a expectativa da empresa é elevar essa participação para próximo de 20% no médio prazo1. Somados os canais de franquias e multimarcas, os dois segmentos representam cerca de 40% dos negócios do grupo1. Quem avalia a rede deve perguntar à franqueadora o que significa, em termos de suporte e prioridade interna, ser parte de um canal que ainda compartilha recursos com os multimarcas.
O vetor de crescimento apontado pela rede é o interior, com foco no Sudeste e em municípios estratégicos do Norte e do Nordeste1. O instrumento para viabilizar essa expansão é o formato Light, criado em 2023, pensado sobretudo para cidades com até 250 mil habitantes1. O modelo exige, em média, capital de giro de R$ 300 mil, ante R$ 400 mil do formato Full tradicional, e pode ocupar espaços a partir de 60 m²1. Hoje, o Light responde por quase 20% da rede franqueada1. A diferença de capital de giro entre os dois formatos pode tornar o Light acessível a perfis que não se qualificariam para o Full, mas o candidato ainda precisa apurar junto à franqueadora os valores totais de investimento, taxas e royalties.
Um caminho que a Reserva já testou para encontrar franqueados no interior é converter operadores multimarca em parceiros formais da rede. Nos últimos dois anos, a empresa passou a incentivar essa migração, e oito lojistas multimarca já se tornaram franqueados1. Segundo Almeida, o conhecimento da praça, o relacionamento com consumidores locais e o histórico de vendas da marca são vantagens reconhecidas para esse perfil. Almeida também menciona que a rede avalia repassar algumas lojas próprias a franqueados locais, citando que um sócio que mora e opera na região pode viabilizar uma operação mais eficiente1. Esse movimento pode indicar oportunidades de aquisição de unidades já em funcionamento, o que tende a reduzir incertezas de rampa, mas os termos de uma eventual conversão precisam ser checados diretamente com a rede.
A rede afirma que a linha infantil Reserva Mini acrescenta cerca de 10% ao faturamento de uma unidade franqueada, e que os calçados Reserva Go também contribuem para o desempenho das lojas1. A fonte não apresenta o impacto completo dos calçados em número fechado. Questionar à franqueadora como essas linhas são contabilizadas nos indicadores de performance e se há metas separadas por categoria é um ponto que deve ser checado diretamente com a rede.
A presença em quase todas as capitais brasileiras, com exceção de Macapá, prevista para 20271, sinaliza uma rede próxima de saturar os grandes mercados urbanos. Para quem avalia uma praça de interior, a pergunta relevante não é só se a marca tem força regional, mas se a franqueadora consegue demonstrar dados de desempenho de unidades Light já em operação. Crescer sem comprometer a percepção premium é a tese da Reserva; quem compra essa tese precisa verificar se os números de unidades já abertas a sustentam.