CEO chamou inconsistência entre unidades de "calcanhar de Aquiles" e a rede criou critérios objetivos de satisfação, inspeção e atendimento para distribuir bônus.
A disparidade de desempenho entre as unidades da Papa Johns chegou a um ponto em que o próprio CEO, Todd Penegor, a chamou publicamente de 'calcanhar de Aquiles' da rede1. Segundo Penegor, na chamada de resultados do segundo trimestre, as lojas com melhor desempenho vendem muito mais do que as piores, e essa distância está corroendo a percepção da marca em todo o país1.
A resposta da franqueadora veio em três frentes. A rede criou uma 'equipe de coaching de padrões de marca' voltada a treinamento e avaliação de restaurantes, implantou um modelo de diretores regionais para aumentar a frequência de visitas às lojas e estruturou um pacote de cerca de US$ 5 milhões em incentivos financeiros para franqueados1. Os critérios são objetivos: notas de satisfação do cliente, resultados de inspeção e tempo de atendimento.
Para quem avalia entrar em uma rede de alimentação, esse movimento importa além da Papa Johns. Quando a franqueadora amarra dinheiro a métricas operacionais, ela está, na prática, transferindo parte do risco da inconsistência para o franqueado, quem entrega menos, recebe menos. Isso pode ser saudável para a rede como um todo, mas exige que o candidato entenda exatamente quais metas são exigidas e quão realistas são para uma unidade nova, sem histórico.
No front de marketing, a rede nomeou Chris Lyn-Sue como CMO Global e reverteu para um modelo em que franqueados tomam decisões de marketing localmente, em vez de uma estratégia nacional centralizada1. Paralelamente, a apresentação das ofertas em plataformas como DoorDash e Uber Eats será simplificada. Maior autonomia local tende a exigir do franqueado mais capacidade de gestão de campanhas, o que pode ser uma oportunidade para operadores experientes e um risco para quem estreia no setor.
A Papa Johns não está sozinha nesse movimento. Wendy's e Popeyes também reforçaram suas equipes de campo recentemente, e o Jack in the Box reestruturou seu próprio time para que passasse o dobro do tempo dentro dos restaurantes1. O padrão sugere que redes de grande porte estão, simultaneamente, admitindo falhas de execução e aumentando a pressão sobre as unidades.
Quando uma grande rede admite que sua maior fraqueza é a inconsistência, o contrato que o candidato assina precisa deixar claro o que a franqueadora fará, e cobrará, para corrigi-la. Para isso, pergunte à franqueadora como os incentivos do pacote de US$ 5 milhões são distribuídos entre as unidades, quais metas um franqueado novo precisa atingir para se qualificar e como a nova estrutura regional de visitas afeta o suporte dado a lojas em fase de abertura.