Franqueadora transfere lojas em Orlando para franqueado experiente como parte de plano que já repassou dezenas de unidades nos EUA e busca reduzir participação corporativa.
A Papa Johns vendeu 28 restaurantes corporativos em Orlando para Wade Oney, que passa a somar 120 unidades da rede1. A transação, fechada por meio das empresas PZZA Group e Magic City Pizzerias, é mais um passo em um processo de refranchising iniciado em escala no fim de 2024.
A trajetória do comprador dá dimensão ao perfil que a franqueadora diz estar buscando. Oney trabalha com pizzarias desde 1981, foi COO da Papa Johns entre 1995 e 2000, período em que a rede chegou a mais de dois mil restaurantes, e já havia aberto dez novas unidades na Flórida só no ano passado1. Operador capitalizado e com histórico comprovado dentro da própria rede, Oney sinaliza que a Papa Johns pode estar elevando a barra de entrada para novos parceiros.
O movimento faz parte de um plano de recuperação mais amplo: reduzir a participação corporativa a um percentual de dígito único médio das lojas norte-americanas1. Em dezembro passado, a Pie Investments havia adquirido 85 unidades em Washington D.C. e Baltimore, com obrigação de abrir mais 52 lojas nesses mercados e em Filadélfia até 20301.
O contexto financeiro pesa. A rede registrou queda de vendas em oito dos nove trimestres anteriores, com recuo de 8,3% no segundo trimestre deste ano1. A transação de Orlando reduzirá a receita consolidada da companhia em US$ 4 milhões, segundo o CFO interino Christopher Collins; o refranchising anterior das 85 unidades já havia diminuído a receita de restaurantes próprios em US$ 37 milhões no segundo trimestre1. A Bloomberg apontou que tarifas e baixo fluxo de consumidores por efeito da inflação têm afetado diversas pizzarias americanas, e a Pizza Hut chegou a ser vendida após suas quedas de vendas pesarem sobre a Yum! Brands1.
Para o candidato a franqueado que avalia marcas de pizza, o cenário levanta uma questão prática. Quando uma rede acelera a transferência de unidades, o desempenho da operação tende a depender muito da qualidade do suporte mantido durante a transição. O CEO Todd Penegor sinalizou que a estratégia privilegia franqueados 'com estratégia, bem capitalizados e em crescimento'1, o que pode significar requisitos mais rígidos para estreantes sem histórico comprovado na rede.
O FDD vigente e os documentos da Papa Johns precisam trazer investimento inicial, royalties, taxa de publicidade e prazo contratual; essas são as variáveis que o candidato deve validar. Outro ponto crítico: como o plano de refranchising afeta o suporte operacional às unidades já existentes. Quem entra em uma rede em transição de modelo aposta que a reestruturação vai preservar (e fortalecer) o suporte que sustenta suas operações.