Resgate de produtos dos anos 1990 e retrofit de unidades impulsionam vendas de ícones da marca, que opera 800+ lojas, 90% delas franqueadas.
A Kopenhagen registrou alta de 20% no volume de vendas dos produtos considerados ícones da marca um mês após o lançamento da campanha "Icônica Desde Sempre"1. O gatilho foi o resgate de três chocolates que haviam saído do portfólio na década de 1990, Jelly Garden, Coco Hits e Avelã, combinado a novas versões de clássicos como a Língua de Gato e a Nhá Benta1. Para quem avalia entrar em uma rede de chocolateria premium, entender o que sustenta esse vínculo afetivo com o consumidor pode ser tão decisivo quanto analisar o fluxo de caixa projetado.
Os três clássicos relançados responderam por um incremento de 10% nas vendas da rede, e a demanda pelos itens da linha Língua de Gato mais que dobrou no período, segundo a companhia1. A diretora de Estratégia e Marca Patricia Nacamuta afirma que o movimento partiu de monitoramento contínuo de redes sociais e de pesquisas qualitativas e quantitativas realizadas quase diariamente1. Esse tipo de inteligência de portfólio tende a ser centralizado na franqueadora, o que pode ser tanto uma vantagem operacional para o franqueado quanto um ponto de dependência que vale examinar antes de assinar o contrato.
A campanha foi estruturada em formato "360º", com filme institucional, mídia digital, ações fora de casa (OOH) e um grupo fixo de criadores de conteúdo, além de 750 peças geradas por usuários (UGC)1. O volume de UGCs bateu recorde, dobrando o registrado na Páscoa, de acordo com Nacamuta1. A empresa não divulga o valor absoluto do investimento, mas afirma tratar-se de um aporte milionário de dois dígitos, no mesmo patamar do investimento em mídia das campanhas de Páscoa e Natal1. Para o candidato a franqueado, a questão prática é saber quanto dessa verba é coberta pelo fundo de marketing da rede e qual parcela pode recair sobre o próprio operador, dado que a fonte não apresenta.
Em paralelo à campanha, a Kopenhagen conduz um programa de retrofit com aporte de R$ 42 milhões desde 2024, com previsão de reformular até 150 unidades em 20261. A rede afirma esperar encerrar o ano com cerca de 70% das mais de 800 lojas no novo layout, que retoma o vermelho como cor principal1. As unidades já reformadas registraram aumento médio de vendas de 15%, chegando a até 34% nos casos em que houve mudança de ponto ou ampliação do salão, segundo a companhia1. Reformas de loja costumam gerar custos que podem ser repartidos entre rede e franqueado de formas muito distintas. O detalhe da divisão exata desse custo por unidade precisa ser perguntado diretamente à franqueadora.
O complexo fabril próprio em Extrema (MG), inaugurado em 2010, produz itens tanto da Kopenhagen quanto da Brasil Cacau, mais de 400 SKUs no total1. Com cerca de 90% das mais de 800 lojas operadas por franqueados, segundo a companhia1, qualquer ganho de escala na produção pode beneficiar o portfólio disponível ao franqueado, mas o impacto real sobre as margens por unidade depende de informações que a fonte não traz. A pergunta a levar à franqueadora: como os resultados das lojas reformadas e da campanha se traduzem em faturamento médio por unidade franqueada, e em qual prazo?
Uma marca com quase cem anos de história e base de consumidores monitorada em tempo real pode oferecer uma demanda que sinalize previsibilidade maior do que redes mais jovens. Mas nostalgia não substitui a análise do ponto, do custo de adequação e do retorno esperado: são essas respostas que transformam uma decisão emocional em decisão de negócio.