A sorveteria que virou uma das maiores fabricantes do país estrutura Lojas de Fábrica como franquia; trajetória de 50 anos não substitui números de rentabilidade.
A Jundiá Sorvetes, empresa com quase cinco décadas no mercado brasileiro de sorvetes, está usando esse tempo de estrada como argumento de venda para franqueados1. A Jundiá Sorvetes, que nasceu de uma pequena sorveteria familiar e hoje é uma das maiores fabricantes de sorvetes do país1, passou a estruturar a expansão das chamadas Lojas de Fábrica como modelo de franquia, e o movimento muda a pergunta que qualquer candidato deveria fazer antes de assinar.
O formato foi desenhado com foco em operação enxuta, processos padronizados e necessidade reduzida de manipulação de alimentos1. Para o candidato a franqueado, isso pode significar uma curva de aprendizado menor do que a de outros modelos do setor alimentício, mas "pode" é a palavra certa, porque a fonte não apresenta comparativos entre redes nem dados de desempenho de unidades já abertas.
"A Jundiá nasceu de uma pequena sorveteria. Nossa história sempre foi construída com muito trabalho, proximidade com o consumidor e visão de longo prazo. Hoje, queremos dividir essa trajetória com novos empreendedores, oferecendo um modelo de negócio simples, rentável e respaldado por uma marca que já faz parte da vida de milhões de brasileiros", afirma César, CEO da Jundiá Sorvetes1. A afirmação de rentabilidade é da própria empresa e deve ser verificada em documentos formais antes de qualquer decisão.
A estratégia de expansão vem acompanhada de uma frente de comunicação dedicada. Gabriel Torres assume a liderança dessa área, com foco em produzir conteúdo sobre as novas unidades e as histórias de franqueados já operando1. A iniciativa tende a tornar o processo de avaliação mais transparente para quem ainda está na fase de pesquisa, embora conteúdo produzido pela própria rede não substitua os dados que a COF (Circular de Oferta de Franquia) obriga a empresa a apresentar por lei.
E é justamente aí que mora a lacuna central desta notícia: a fonte não traz investimento inicial, taxa de franquia, royalties, taxa de propaganda, prazo de contrato nem área de exclusividade. Todos esses itens constam obrigatoriamente na COF que a Jundiá é obrigada a entregar ao candidato. O que a COF não formata, payback real por praça, faturamento médio por unidade já aberta e perfil das cidades prioritárias para expansão, deve ser perguntado diretamente à franqueadora antes de qualquer avanço.
A trajetória de quase 50 anos pode ser um diferencial de marca, mas tempo de mercado não garante resultado para o franqueado: o que sustenta a decisão de investir é o desempenho documentado das unidades em operação, não a história da indústria por trás delas.