Assistente conversacional acessa 15 anos de dados da plataforma; iFood não esclarece se o acesso é gratuito ou cobrado.
O iFood apresentou o Toqan durante o iFood Move 2026, em São Paulo, um assistente de inteligência artificial conversacional voltado à gestão de restaurantes1. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Prosus, controladora do iFood, e integra um plano de R$ 24 bilhões em investimentos operacionais até março de 2027, valor 41% superior aos R$ 17 bilhões aplicados no período anterior1. Desse total, mais de R$ 2 bilhões são destinados especificamente à inteligência artificial, cobrindo treinamento de modelos, enriquecimento de bases de dados e desenvolvimento de novos produtos1.
Para quem avalia parceiros de tecnologia ao montar ou expandir uma operação de alimentação, o volume de capital comprometido com IA sinaliza que a aposta não é pontual. A pergunta relevante é se o acesso ao Toqan será gratuito, cobrado à parte ou embutido em condições comerciais já existentes, e a fonte não responde isso.
O Toqan foi treinado com dados anonimizados coletados ao longo dos 15 anos de atuação do iFood no Brasil1. A plataforma reúne hoje 65 milhões de consumidores e 500 mil estabelecimentos cadastrados em 2,8 mil cidades1. O processo de treinamento envolveu uma equipe dedicada por três a quatro meses e visitas a centenas de restaurantes parceiros para mapear demandas operacionais1. Bases históricas dessa magnitude podem diferenciar diagnósticos de comportamento de demanda, mas o candidato a parceiro da plataforma deve perguntar diretamente ao iFood como esses dados são usados e quais garantias de anonimização se aplicam ao seu negócio.
A interação acontece por chat: o operador faz perguntas em linguagem natural, como "cresci ontem?" ou "costumo vender mais às quintas-feiras?", e recebe análises estruturadas sem precisar navegar por telas de relatório1. Segundo Diego Barreto, CEO do iFood, o ecossistema integrado, que inclui vendas online, ERP e meio de pagamento, é o que viabiliza essa consolidação em um único ponto1.
O assistente opera em quatro eixos1: Performance (pedidos e faturamento consolidados), Operação (prazos de preparo, índices de cancelamento e identificação de falhas), Reputação (avaliações do iFood, Google e Instagram com análise de sentimento e sugestão de respostas) e Inteligência de Mercado (comparação com concorrentes de porte e perfil equivalentes na mesma região). Além dos diagnósticos, executa tarefas como elaboração de escalas de trabalho, otimização de imagens do cardápio, criação de campanhas e envio de relatórios diários via WhatsApp1.
O iFood afirmou que o investimento de R$ 24 bilhões será direcionado ao fortalecimento de restaurantes, à expansão das categorias de farmácia, supermercados, lojas e petshops, ao desenvolvimento tecnológico e à integração entre experiências online e offline, além do iFood Pago1.
Para o dono ou gestor de restaurante que já é ou pretende ser parceiro do iFood, a ferramenta pode reduzir a dependência de analistas e consultores externos para leitura de desempenho. O que a fonte não esclarece, e vale perguntar à rede, é se há custo adicional pelo Toqan, quais categorias de parceiros terão acesso primeiro e em que prazo a cobertura se expande. A relevância do investimento depende menos do número anunciado e mais de quanto dele chega, na prática, à operação de quem está na ponta.