Janet Risi Field teria fechado acordos secretos com fornecedores por 25 anos, segundo denúncia; contas de fachada concentraram mais de US$ 60 milhões.
Uma grande júri federal indiciou Janet Risi Field, de 66 anos, e seu irmão Steven Louis Risi, de 70, por um esquema que, segundo os promotores, teria custado mais de US$ 80 milhões aos franqueados do Subway1. O caso gira em torno da própria estrutura criada para proteger os donos de unidades, a Independent Purchasing Cooperative (IPC), organização sem fins lucrativos responsável por negociar preços de insumos em nome dos franqueados da rede.
Risi Field fundou a IPC e a comandou de 1996 a 20211. Durante esse período, segundo os promotores, ela teria fechado acordos secretos com brokers de fornecedores, que repassavam a ela uma fatia dos lucros dos contratos. Empresas de fachada teriam concentrado mais de US$ 60 milhões1, usados para financiar imóveis na Flórida e na Carolina do Norte, joias, clubes particulares e até funcionários domésticos, assistente pessoal, governanta e faxineiro.
Quando o conselho da IPC a demitiu em 2021 por razões não relacionadas ao esquema, não tinha conhecimento da fraude1. Ainda assim, ela saiu com mais de US$ 6 milhões em indenização rescisória1. O Subway não é citado no indiciamento. Os dois réus enfrentam pena de até 20 anos de prisão1.
Para quem avalia uma franquia, o caso levanta uma questão que raramente aparece nos materiais de apresentação das redes: quem controla a cadeia de fornecimento e como esse controle é auditado? Uma cooperativa de compras centralizada pode gerar economia real de escala, mas também concentra poder de negociação em poucas mãos. Quanto menos transparente for o processo de seleção de fornecedores, maior a chance de o franqueado pagar preços inflados sem perceber.
Antes de assinar qualquer contrato com redes que operam cooperativas de compras obrigatórias, o candidato deve perguntar à franqueadora como funciona a governança do órgão de compras, quem audita os contratos com fornecedores e se há histórico de prestação de contas aos franqueados. O detalhamento dos critérios de seleção, os mecanismos de controle e o histórico de auditorias precisam ser pedidos diretamente à rede.
Transparência na cadeia de suprimentos não é detalhe operacional: é parte do custo real de ser franqueado.