Nadeem Bajwa, que opera 276 unidades da rede nos EUA, desacelera expansão para formar gerentes capazes de rodar lojas sem presença diária do dono.
Crescer sem ter quem tome conta do que já existe é o erro mais caro na trajetória de um multifranqueado. A tese é de Nadeem Bajwa, que opera 276 unidades da Papa John's nos Estados Unidos e integra o conselho consultivo da rede1. Para ele, antes de assinar qualquer novo contrato, a unidade anterior precisa funcionar sem a presença constante do dono, com alguém treinado para assumir o dia a dia desde o primeiro dia.
Bajwa fala com o peso de quem viveu o lado oposto. Após abrir cinco unidades em um ano e meio, viu os indicadores de toda a operação se deteriorarem1. O diagnóstico que ele faz do próprio tropeço é crescimento sem estrutura de suporte e sem líderes preparados para o cotidiano das lojas. É exatamente esse ponto que o candidato a multifranqueado tende a subestimar ao projetar a segunda ou a terceira unidade.
A solução que Bajwa encontrou foi construir o backoffice antes de retomar a expansão. Convenceu um irmão a abrir um escritório de contabilidade no Paquistão para dar suporte às lojas; o projeto cresceu e hoje atende a quase 2 mil restaurantes de 15 marcas diferentes1. Uma central de atendimento criada com a mesma lógica de apoio interno tornou-se fornecedora da própria Papa John's, atendendo a cerca de 2,5 mil restaurantes em quatro países1. O movimento sugere que infraestrutura montada para resolver problema próprio pode se tornar negócio independente, embora esse resultado dependa de contexto e capital que a fonte não detalha.
A meta de expansão de Bajwa foi puxada, em parte, por uma pressão interna. Gerentes talentosos queriam saber qual seria o espaço deles nos anos seguintes, e para criar rotas de carreira ele foi ampliando sucessivamente os alvos, de dez para 50, depois 100 e, finalmente, mais de 200 unidades1. Hoje, segundo ele afirma, há profissionais que começaram como pizzaiolos e administram dezenas de lojas1. Para o candidato a franqueado, a lição prática é perguntar à franqueadora qual é o plano de formação de líderes previsto no modelo e o que o suporte oferece especificamente para quem pretende operar múltiplas unidades.
Bajwa palestrará no Somos Multi, evento focado em multifranqueados previsto para 15 de setembro, em São Paulo1. Ele afirma querer chegar a 500 franquias nos próximos anos1. A fonte não traz detalhes sobre investimento por unidade, royalties ou prazo de contrato da Papa John's, itens que qualquer candidato deve buscar diretamente na franqueadora antes de avaliar replicar o modelo de múltiplas unidades. A credibilidade construída ao longo do caminho, e não o capital inicial, é o que, na visão de Bajwa, determina até onde um multifranqueado pode chegar.