Chip City Cookies encerrou operações após dois anos, enquanto Crumbl também reduz lojas; sinais de que velocidade de expansão não garante viabilidade por unidade.
A Chip City Cookies, rede que havia captado dezenas de milhões de dólares em múltiplas rodadas de investimento e operava dezenas de unidades em vários estados americanos, encerrou as atividades neste mês1. Em comunicado publicado no próprio site, a empresa afirmou ter feito "extensos esforços para estabilizar o negócio diante de ventos macroeconômicos adversos significativos" [via Franchise Times · Chip City Cookies]. A companhia não disponibilizou porta-voz para comentar.
A Chip City não é um caso isolado. A Crumbl, que em determinado período chegou a inaugurar centenas de unidades por ano, também está fechando lojas1. O movimento das duas redes aponta que o nicho de cookies premium enfrenta pressão relevante, independentemente do tamanho ou do histórico de expansão da marca.
Para quem avalia uma franquia de sobremesas ou de produtos sazonais, o caso levanta uma questão estrutural. Captação de capital e velocidade de expansão não garantem sustentabilidade da operação no nível da unidade. Uma rede pode crescer rapidamente com dinheiro de investidores e ainda assim ter dificuldade em tornar cada loja individualmente viável. O FDD americano costuma trazer dados de abertura e fechamento de unidades, informação essencial antes de qualquer decisão de compra.
Os FDDs não detalham royalties, taxas de entrada, prazo contratual ou desempenho médio por unidade de nenhuma das redes mencionadas. Candidatos que avaliem marcas de nicho similar devem perguntar diretamente à franqueadora: qual a taxa de fechamento de unidades nos últimos três anos, quais os custos fixos típicos de uma loja e como a rede se sustenta em períodos de queda de demanda. O fechamento de uma rede que captou dezenas de milhões de dólares é o lembrete de que o tamanho do aporte diz pouco sobre a saúde do modelo de negócio para o franqueado.