A rede brasiliense investe a partir de R$ 2,8 mi por unidade em praças onde faltam academias completas, mas o modelo de franquias é recente.
Oito novas unidades em um único trimestre: é o ritmo que a Corpo e Saúde imprimiu à sua expansão via franquias1. A rede prevê inaugurar as academias entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em Parque Amazônia (DF), Cristalina (GO), Serra Talhada (PE), Expansão Setor O (DF), Formosa (DF), Ponte Alta São Francisco (DF), Santo Antônio Descoberto (GO) e Luziânia (GO)1.
A operação atual soma cerca de 60 academias no Centro-Oeste e no Nordeste, emprega aproximadamente 1.200 pessoas e, segundo a própria rede, faturou R$ 48 milhões em 20251. O modelo de franquias foi adotado também em 20251, o que torna toda a expansão muito recente. Candidatos devem levar isso à conversa com a franqueadora, já que o histórico de unidades franqueadas ainda é curto.
A estratégia declarada é focar cidades médias e do interior onde a oferta de academias de porte completo ainda é escassa. "Nas cidades médias, a demanda por academias completas ainda é pouco atendida. Para o franqueado, isso significa entrar em um mercado com menos concorrência e construir uma base de alunos mais estável desde a inauguração", afirma Roberto Oliveira, fundador e CEO da rede1. A lógica pode fazer sentido, mas o candidato precisará verificar, praça a praça, se a demanda local sustenta o porte do investimento exigido.
A proposta ao aluno inclui musculação, aulas coletivas, Espaço Mulher dedicado a treino de pernas e glúteos, além de natação e hidroginástica nas unidades com piscina1. É justamente a piscina que diferencia a marca e, ao mesmo tempo, tende a elevar custos de obra, manutenção e pessoal em relação a academias convencionais. Saber quais unidades do plano de expansão incluirão piscina e como isso afeta o investimento total é uma informação que o franqueador deve fornecer, e cabe ao candidato exigir da rede.
O suporte prometido cobre escolha de ponto, obra, compra de equipamentos, marketing e treinamento da equipe local1. Oliveira ancora a proposta nos 28 anos de operação da marca: "Quem investe numa franquia nossa compra quase três décadas de experiência. O franqueado não precisa descobrir sozinho o que funciona, porque nós já erramos e acertamos antes dele"1. A longevidade da marca é um ativo real, mas não equivale a histórico de franqueados, e a distinção importa na hora de avaliar risco.
O setor em que a rede opera também cresceu: segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar faturou R$ 77,2 bilhões em 12 meses e cresceu 18% no primeiro trimestre de 20261. Um segmento em expansão pode ampliar o mercado disponível para novas unidades, mas não garante desempenho individual. Faturamento médio por unidade franqueada e prazo de payback não são itens obrigatórios da COF; a franqueadora é quem decide divulgá-los ou negociá-los. Taxa de royalties, sim, consta obrigatoriamente do documento. Cobrar esses dados é essencial na negociação.
A pergunta que fica é simples e direta: o que o histórico ainda curto de unidades franqueadas revela sobre a operação real, e o que ainda não é possível saber por falta de tempo de maturação?