Proprietária da unidade foi presa; AB Mauri Brasil afirma que franqueados devem cumprir padrões obrigatórios mesmo operando de forma independente.
Um cliente encontrou um rato morto dentro de um bolo comprado na unidade Cavalhada da Casa de Bolos, na Zona Sul de Porto Alegre (RS), na quarta-feira passada1. A Polícia Civil confirmou que o consumidor ingeriu parte do alimento antes de perceber o que havia no produto1. A fiscalização, conduzida por agentes da Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon) com apoio da Vigilância Sanitária e da 13ª Delegacia de Polícia, encontrou fezes e urina de roedores, produtos vencidos e condições inadequadas de higiene no estabelecimento1. A proprietária foi presa em flagrante.
Em nota enviada à PEGN, a AB Mauri Brasil, dona da Casa de Bolos, afirmou que "lamenta profundamente o ocorrido" e que "considera inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde e a segurança dos consumidores"1. A empresa diz conduzir uma "apuração interna para esclarecer os fatos e adotar as medidas contratuais cabíveis" e ressalta que, mesmo operadas por franqueados independentes, todas as unidades devem seguir os padrões operacionais e sanitários estabelecidos pela rede1.
Para quem avalia uma franquia de alimentação, o caso torna visível uma tensão presente em qualquer rede: o franqueado opera com autonomia de gestão, mas responde pelos padrões que assinou em contrato. A menção a "medidas contratuais cabíveis" indica que o instrumento jurídico prevê consequências para descumprimento de normas sanitárias. Saber com que frequência a rede realiza auditorias operacionais e quais são essas consequências são perguntas que o candidato tende a levar à franqueadora antes de assinar qualquer documento.
A Casa de Bolos foi criada em 2010 em Ribeirão Preto (SP) e opera no franchising desde 20111. A rede conta com mais de 600 unidades em operação no Brasil1. Em agosto deste ano foi adquirida pela AB Mauri Brasil, subsidiária brasileira do grupo britânico ABF (Associated British Foods); na ocasião, as empresas informaram que a marca continuaria operando de forma independente dentro da holding, mantendo posicionamento, portfólio e modelo de franquias1.
A COF da rede traz royalties, taxas, prazo contratual e situação financeira da franqueadora. O que não se encontra formatado nela é o histórico real de acionamento de cláusulas por desvio de padrão e a frequência de fiscalização sanitária por praça. Essas informações precisam ser pedidas diretamente à rede. Um incidente desta magnitude pode afetar a percepção dos consumidores sobre a marca inteira. Entender como a franqueadora monitora mais de 600 pontos de venda é o que separa uma decisão informada de uma aposta.