Juíza reconheceu cumprimento do plano aprovado por 91% dos credores; acionistas aportaram até R$ 12 bilhões, mas processos criminais contra executivos seguem.
A 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro aceitou o pedido de encerramento da recuperação judicial da Americanas após pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público estadual, reconhecendo o cumprimento integral das obrigações previstas no plano1. O processo durou quase quatro anos. A decisão abrange também a subsidiária B2W Digital Lux.
A origem da crise remonta a janeiro de 2023, quando o então CEO Sergio Rial revelou inconsistências contábeis que inflaram os resultados da empresa em pelo menos R$ 25,3 bilhões1, posteriormente comprovadas como fraude sistemática. A dívida total considerada no plano de recuperação superou R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 43 bilhões eram débitos concursais sujeitos a renegociação com credores1. Para viabilizar a saída, os acionistas de referência, o trio Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles, fizeram um aporte emergencial entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões, dentro de um plano de capitalização total de R$ 24 bilhões que incluiu ainda R$ 12 bilhões em conversão de dívidas por credores1.
O plano foi aprovado por 91% dos credores1, um patamar que reflete a amplitude do acordo construído ao longo do processo. No mercado financeiro, a ação ordinária da Americanas fechou em alta de 6,9%, cotada a R$ 5,97 no pregão da B31.
Segundo comunicado da própria companhia, no primeiro semestre deste ano as vendas nas lojas em operação há pelo menos um ano avançaram 9,3%, e a eficiência operacional registrou incremento de R$ 500 milhões2. A direção afirma ainda que a receita bruta por metro quadrado cresceu 10,3% nos últimos dois anos2. São declarações da rede sobre si mesma e merecem verificação independente pelo candidato a qualquer parceria com a marca.
O encerramento formal do processo não apaga o capítulo criminal: na semana anterior à decisão, a Justiça Federal do Rio tornou réus o ex-CEO Miguel Gutierrez e outros 11 ex-executivos, acusados de 28 manobras fraudulentas e crimes como organização criminosa, manipulação do mercado de capitais e falsidade documental1. O processo penal segue em curso.
Para quem avalia operar sob uma marca licenciada ou fornecedora da Americanas, a saída da recuperação judicial reduz a incerteza sobre a continuidade da rede, mas o risco reputacional e o andamento dos processos criminais ainda pesam na equação de risco. Antes de qualquer decisão, vale perguntar diretamente à franqueadora quais obrigações contratuais mudam com a nova fase jurídica da companhia.