Vinícius Alves acumulou funções dentro da Orthopride antes de comprar a primeira participação e hoje soma faturamento acima de R$ 16 milhões.
No primeiro mês como promotor de vendas da Orthopride, Vinícius Alves fechou 97 contratos quando o recorde da unidade era 531. O episódio não é detalhe biográfico. É o ponto de partida de uma trajetória que mostra o que acontece quando alguém aprende uma rede por dentro antes de assinar qualquer contrato de franquia.
Alves foi promovido a supervisor em um mês, chegou a gerente em oito e a gerente regional em mais seis, permanecendo cerca de quatro anos nessa posição antes de dar o passo seguinte1. Para quem avalia uma franquia de fora, a sequência levanta uma pergunta direta à rede: existe programa estruturado que permita ao franqueado iniciante acumular esse tipo de vivência operacional antes de aportar capital?
A entrada no quadro societário não veio de uma condição favorável. Um franqueado para quem Alves já trabalhava ofereceu participação nos lucros sem exigir investimento próprio. Ele recusou, vendeu o carro e parcelou o restante1. A decisão revela uma lógica que tende a aparecer em multifranqueados bem-sucedidos: assumir o risco como forma de manter o controle sobre as decisões do negócio.
Para financiar as aquisições seguintes, Alves fixou um teto de R$ 4.000 mensais para gastos pessoais e guardou tudo o que recebia acima desse valor1. A disciplina financeira pessoal funcionou como substituto de crédito externo, um caminho possível, mas que exige prazo e renda prévia compatíveis com a velocidade de expansão desejada.
Nove das dez operações já estavam abertas quando ele entrou. Em um dos casos, a clínica acumulava R$ 150.000 no cheque especial1. Alves afirma que a unidade voltou a registrar resultado positivo em três meses1, e o episódio consolidou um método: adquirir unidades existentes com dificuldades, mapear os gargalos e reorganizar a operação. Para quem considera entrar em uma rede dessa forma, vale perguntar à franqueadora quais dados históricos de unidades à venda ela disponibiliza e se esses números constam na Circular de Oferta de Franquia.
Juntas, as dez operações faturaram mais de R$ 16 milhões em 2025, com projeção de R$ 17,5 milhões para 2026, segundo a rede1. O próprio Alves interrompeu novas aquisições em 2026 para formar gestores e reduzir a dependência das clínicas em relação à sua presença direta1. O movimento sugere que escala sem estrutura de pessoal pode criar gargalo operacional, risco que cresce à medida que o portfólio de unidades aumenta.
A Orthopride informa que 70% de seus franqueados administram mais de uma clínica1, e o cenário nacional aponta na mesma direção: levantamento da ABF indica crescimento da presença de multifranqueados nas redes brasileiras entre 2022 e 20241. A concentração pode indicar que o modelo favorece quem já opera dentro da rede, o que torna a pergunta sobre programas de desenvolvimento interno ainda mais relevante para quem chega de fora.
A própria decisão de Alves de pausar a expansão para consolidar equipe revela que o crescimento cobra um preço de gestão que o número de unidades sozinho não indica. Para o candidato que chega de fora, a pergunta é concreta: o que a rede oferece de programa estruturado para aprender a operação sem oito anos de casa?