Rotatividade na capital paulista atingiu 29,7% no primeiro semestre de 2026, maior desde o Novo Caged, pressionando recrutamento e treinamento no varejo.
A taxa de turnover do mercado formal de São Paulo chegou a 29,7% no primeiro semestre de 2026, o maior índice já registrado para o período desde a implantação do Novo Caged1. O levantamento é do Sindilojas SP, com base nos dados do próprio Novo Caged, e mostra alta de 0,5 ponto percentual frente ao mesmo semestre de 2025 e crescimento de quase 60% na comparação com o primeiro semestre de 20201. Em uma franquia de varejo ou serviços na capital, repor equipe tende a ser custo recorrente, não evento esporádico, o que precisa entrar na projeção financeira antes de qualquer decisão.
Os indicadores sinalizam um mercado de trabalho aquecido. O Brasil criou 921,6 mil empregos formais no semestre, e o estado de São Paulo liderou com saldo de 252,6 mil vagas1. Com mais opções disponíveis, o trabalhador compara salários, benefícios e condições antes de decidir ficar ou sair, e isso tende a encurtar o ciclo de permanência nas empresas menores.
Por setor, a construção civil puxou a média para cima com rotatividade de 39,3%, seguida de serviços, com 30,1%. A indústria foi o contrapeso, registrando 18,8%1. No comércio, o índice chegou a 28,4%, o maior resultado para um primeiro semestre desde 2020 e também o maior dos últimos sete anos1. Ainda assim, o setor fechou o semestre com saldo negativo de 3.514 empregos formais no país inteiro, segundo o Novo Caged1: mais saídas do que entradas mesmo com rotatividade elevada.
Essa combinação importa para quem opera no varejo paulistano. Alta rotatividade com saldo negativo de vagas no comércio sugere um ambiente em que profissionais saem com frequência e o estoque disponível de reposição pode não ser abundante, pressionando recrutamento, treinamento e o tempo em que a unidade opera abaixo da capacidade.
"Reter talentos deixou de ser apenas uma questão de recursos humanos e passou a ter impacto direto sobre produtividade, custos e competitividade", afirmou Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas SP1. O alerta ganha peso quando se considera que cada substituição consome horas de seleção, integração e um período de adaptação em que a produtividade fica abaixo do esperado.
Redes com programas estruturados de treinamento e políticas de retenção documentadas podem oferecer alguma vantagem nesse ambiente, mas a fonte não apresenta dados comparativos. Para o candidato a franqueado, a pergunta importante é: qual é o turnover médio das unidades da rede em São Paulo, quanto custa o ciclo completo de substituição de um colaborador e de que forma esse custo entra no modelo financeiro da operação. Essas informações não emergem automaticamente da documentação padrão e precisam ser buscadas diretamente com a rede e com franqueados já em operação na praça.
Em mercados onde a oferta de vagas cresce, fidelizar equipe pode valer tanto quanto fidelizar clientes.