Studios boutique crescem entre 7% e 9% ao ano ante 4% a 5% do fitness tradicional, segundo liderança do setor, alterando estratégias de franquiadores.
O número de centros de atividade física no Brasil quase triplicou em uma década: de 22.581 estabelecimentos em 2015 para 62.718 em 2025, com projeção de superar 70 mil unidades até 2027, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil1. Mas quem avalia entrar no setor precisa saber que esse crescimento não está distribuído de forma igual. Os studios boutique especializados passaram a puxar as taxas mais altas do segmento, enquanto as grandes academias mantêm expansão constante, porém mais modesta.
Para Cida Conti, CEO da The Flame Studio, a distância entre as duas curvas já saiu do campo da tendência. 'Enquanto o mercado fitness tradicional cresce em média entre 4% e 5% ao ano, o segmento de studios boutique apresenta taxas entre 7% e 9% ao ano, praticamente o dobro. Em apenas seis anos, o número de estúdios no mundo cresceu cerca de 42%', afirmou a executiva1. Vale registrar: esses números são declarados por uma empresa diretamente posicionada no segmento boutique e não são auditados de forma independente.
A explicação para o ritmo mais alto está no que o consumidor passou a valorizar. Turmas reduzidas, metodologia própria, acompanhamento próximo e métricas de desempenho substituíram, para uma parcela do público, a lógica do espaço amplo e dos equipamentos variados. O modelo também apresenta estrutura física mais compacta, com custos fixos menores e ocupação sucessiva do espaço ao longo do dia, o que, segundo a executiva, amplia o aproveitamento por metro quadrado.
O Grupo Ultra opera nesse recorte com duas marcas: The Flame, que combina treino intervalado de alta intensidade com monitoramento de frequência cardíaca em tempo real e gamificação, e Spider Kick, que une muay thai a treinamento funcional. Ambas receberam reconhecimento da ABF com o Selo de Excelência em Franchising e o selo 5 estrelas das Melhores Franquias 2026 da PEGN.
O contraponto está nos próprios dados da fonte. O relatório da HFA (Health & Fitness Association) aponta que a taxa de praticantes no Brasil ainda é de cerca de 8% da população, patamar bem inferior ao registrado nos Estados Unidos1. Base ampla e baixa penetração significam que há espaço para crescer também no modelo tradicional, e que o boutique não captura sozinho todo o potencial do mercado.
Para quem avalia uma franquia de fitness, a diferença de ritmo entre os dois modelos importa, mas não substitui a análise da operação concreta. Investimento inicial, royalties, taxa de franquia, prazo de contrato e histórico de desempenho das unidades abertas são informações que a franqueadora precisa fornecer, e que o candidato deve comparar modelo a modelo antes de decidir. A pergunta que a notícia coloca não é se o boutique cresce mais rápido, mas se a unidade específica que você está avaliando sustenta o que a média do segmento promete.