No Somos Multi 2026, multifranqueados divergiram sobre segurança do repasse para iniciantes, mas convergiram no maior risco: encontrar e manter equipe após a compra.
Com 1.105 empreendedores e profissionais reunidos no Nubank Parque, em São Paulo1, o Somos Multi 2026 dedicou um painel inteiro ao repasse de franquias. A terceira edição do congresso, organizado pelo ecossistema CommUnit, colocou frente a frente operadores experientes para debater o que muda quando se entra numa rede comprando uma unidade já em funcionamento, em vez de abrir uma do zero.
A divergência mais direta veio de dois dos painelistas. Alexandre Lima, franqueado das redes Hering e Dengo com 44 unidades, defendeu o repasse como oportunidade em qualquer circunstância1. Fernando Mendonça, multifranqueado e franqueador da Inboxe, adotou posição oposta quanto ao momento de entrada: para ele, o repasse não é o caminho mais seguro para estrear no franchising, mas pode ser a alternativa mais inteligente para quem já opera e quer crescer1. Essa distinção importa para quem ainda não tem nenhuma unidade rodando. Ela sugere que a experiência prévia com a operação tende a ser determinante no aproveitamento de uma loja adquirida por essa via.
O debate também girou em torno da origem do repasse. Lima apontou que comprar direto da franqueadora costuma ser financeiramente mais acessível do que negociar com outro franqueado1. Em ambas as situações, porém, a rede mantém prerrogativas legais na transação, incluindo aprovação do perfil do candidato, exercício do direito de preferência e entrega da COF no prazo legal1. Para o candidato, isso significa que o processo não depende só de um acordo comercial entre as partes. A COF é o documento onde constam as condições de transferência, taxas e prazo contratual. Sua leitura atenta é inegociável antes de qualquer avanço.
Os três painelistas convergiram sobre o que pesa mais depois que a compra se concretiza. João Marcelo, CEO do Grupo Ginseng e operador de lojas do Grupo Boticário, apontou a dificuldade de encontrar pessoas capazes de sustentar a virada de gestão1. Lima reforçou que o maior desafio é replicar o mesmo padrão de cultura das outras unidades da rede1. Para quem não vem de dentro da marca, esse risco tende a ser ainda mais alto, já que a curva de aprendizado sobre a operação se sobrepõe ao processo de reconstrução de equipe e processos.
No PEGN Labs, espaço paralelo ao congresso, o tema da expansão ganhou outro ângulo1. Denis Santini, CEO da CommUnit e fundador do Grupo MD, destacou que descentralizar decisões é condição para crescer, e que monitorar o fluxo de caixa é inegociável nesse processo1. A mensagem ecoa o que os painelistas de repasse sinalizaram sobre equipe: delegar exige estrutura antes de velocidade. Para quem avalia múltiplas unidades, fica aberta a pergunta: a franqueadora oferece suporte estruturado à transição de gestão, ou esse trabalho recai inteiramente sobre o franqueado entrante?
A fonte não informa investimento médio de repasse, critérios de valuation praticados pelas redes citadas nem prazos contratuais. Antes de avançar, vale perguntar à franqueadora qual o critério de precificação da unidade, o que muda nas obrigações contratuais em relação a uma unidade nova e qual suporte concreto a rede oferece na fase de transição. O repasse pode encurtar o caminho até a primeira venda, mas o quanto ele encurta depende de respostas que só a COF e a franqueadora têm.