A rede low cost acelerou aberturas de 234 para 460 unidades, reestrutura governança e mantém FIDC próprio para financiar equipamentos de franqueados.
A Panobianco Academia saiu de 234 unidades no fim de 2024 para mais de 460 em operação hoje1 e projeta fechar 2026 com até 600 academias franqueadas, além de alcançar R$ 1 bilhão em vendas (sell-out) ainda neste ano, segundo Caroline Ventura, head de marketing da companhia1. Para quem avalia entrar numa rede fitness, esses números sugerem uma janela de crescimento, e também a necessidade de entender o que sustenta o ritmo.
A aceleração, segundo a empresa, ganhou tração com a chegada de um novo CEO e de um board executivo, que definiram metas mais agressivas1. Em paralelo, a Panobianco está em transição para sociedade anônima (S.A.), com criação de conselhos e auditoria internacional, movimento que, segundo a companhia, visa estruturar o capital para suportar o crescimento em padrões internacionais1. Uma franqueadora que profissionaliza a governança pode oferecer mais previsibilidade nas relações contratuais, mas vale perguntar diretamente como essa reestruturação afeta prazos, obrigações e suporte operacional já vigentes.
Junto à expansão de rede, a empresa apresentou em agosto um reposicionamento de marca batizado de 'Feitos de Força e Vontade'1. O projeto, desenvolvido com a Agência Ana Couto, envolveu campanha institucional, mídia, parcerias com influenciadores e ações na feira Fitness Brasil, com investimento total de cerca de R$ 2,9 milhões, segundo dados repassados pela rede1. A ideia, conforme Ventura, é deslocar a percepção do consumidor sobre frequentar uma academia, saindo da lógica de obrigação para uma escolha ligada a bem-estar e prazer1. Reposicionamentos de marca podem fortalecer a captação de alunos, mas o candidato precisa verificar se a promessa de experiência diferenciada se sustenta na unidade que pretende abrir, e não apenas nas campanhas centrais.
Um ponto relevante para franqueados já em operação: as mudanças arquitetônicas (recepções, ambientes de convivência e novos acabamentos) não representam custo adicional para quem já está na rede, segundo Ventura1. Academias existentes recebem por ora apenas ajustes de material impresso e treinamento de equipe; reformas físicas ficam restritas a unidades que já estavam previstas para retrofit1. A executiva afirma ainda que o reposicionamento não deve resultar em aumento do valor da mensalidade para o consumidor1. Candidatos a novas unidades, porém, devem perguntar à franqueadora qual o investimento inicial já contemplando o novo padrão arquitetônico, informação que a fonte não detalha.
O modelo de crescimento é 100% franqueado, sem unidades próprias1. Parte relevante da expansão vem de multifranqueados, alguns administrando mais de dez unidades cada1. A presença expressiva desse perfil pode indicar satisfação com o modelo, mas também pode concentrar poder de negociação nas mãos de poucos operadores. Quem pretende entrar com capital para uma única unidade precisa avaliar como a franqueadora distribui suporte e atenção entre franqueados de portes diferentes.
Para viabilizar a abertura de novas casas, a Panobianco mantém um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) próprio, usado para financiar a compra de equipamentos pelos franqueados com taxas reduzidas pagas a partir do giro do negócio, segundo a rede1. Esse mecanismo pode reduzir a barreira de entrada, mas taxas, condições e elegibilidade precisam ser consultadas diretamente, pois a fonte não os detalha. Internacionalmente, a rede já opera no México e tem Chris Rondeau, ex-CEO da Planet Fitness americana, como sócio-investidor e conselheiro estratégico para Brasil, México e América Latina1; por ora, o foco externo permanece no mercado mexicano1.
Quanto ao principal entrave ao crescimento, Ventura afirma que o desafio não está em capital, franqueados ou localização, mas em diferenciar a experiência do consumidor numa categoria que se define como low cost voltada a mercados médios e pequenos1. O setor fitness, segundo ela, tem potencial de mercado até quatro vezes maior do que o atual1. A pergunta que o candidato leva à franqueadora é direta: como a rede mede e acompanha a entrega dessa experiência diferenciada em cada praça? É a resposta a essa questão que separa a promessa de marca do resultado real da unidade.