Modelo atrai dentistas com consultórios prontos: payback estimado em 16 meses, ante até 33 meses na abertura do zero, segundo a rede.
Converter uma clínica odontológica existente para a bandeira OrthoDontic exige investimento inicial a partir de R$ 180 mil, ante R$ 400 mil para abrir uma unidade do zero1. A diferença de R$ 220 mil é possível porque equipamentos, instalações e parte da operação já montada podem ser reaproveitados. Para o candidato a franqueado que já tem um consultório estruturado, isso significa que o capital imobilizado ao longo da carreira pode ser convertido em parte do aporte exigido pela rede, reduzindo a necessidade de liquidez imediata.
Os prazos estimados também diferem entre os dois formatos. Na conversão, o ponto de equilíbrio é de cinco meses e o payback parte de 16 meses; na unidade aberta do zero, o equilíbrio leva de oito a dez meses e o retorno do investimento vai de 29 a 33 meses1. A rede afirma, ainda, faturamento médio mensal de R$ 200 mil e lucratividade estimada entre 20% e 25% para os dois modelos1. Como se trata de declarações da própria franqueadora, o candidato deve pedir histórico por praça para calibrar a projeção à realidade local.
A rede reúne 342 unidades operacionais no Brasil, sendo 34 em Minas Gerais, e gera mais de 4 mil empregos diretos no país, com mais de 400 no estado1. Das unidades em operação, 29 tiveram origem em conversões de clínicas já existentes, quatro delas em Minas Gerais1. O contexto mineiro ajuda a entender por que a rede prioriza esse mercado. O franchising no estado movimentou mais de R$ 26 bilhões em 2025, alta de 10,2% sobre o ano anterior, chegando a 18.699 operações, e o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar avançou 18,3% no estado1.
O movimento nacional do franchising reforça esse pano de fundo. No primeiro trimestre de 2026, o faturamento do setor cresceu 10,1% no país, alcançando R$ 72,7 bilhões, com Saúde, Beleza e Bem-Estar avançando 18% no período1. Para quem avalia entrar em um segmento, a tendência de crescimento pode sinalizar demanda aquecida, mas não garante desempenho individual de uma unidade específica.
Um dado sobre o comportamento dos franqueados que entraram por conversão tende a interessar a quem pensa em expansão futura. Entre 23 franqueados analisados pela própria rede que ingressaram por esse modelo, 70% deles, ou 16, já operam mais de uma unidade; em 26% dos casos chegaram a quatro unidades ou mais, e o maior operador originado de conversão administra oito clínicas1. Esses números vêm de análise da própria franqueadora, e o candidato deve questionar o critério de seleção da amostra antes de usá-los como referência.
"Esse profissional já investiu, formou equipe, conquistou pacientes e conhece o mercado em que atua. A decisão passa a ser sobre o próximo ciclo", afirma Camila Stocco, gerente de Expansão e Implantação da OrthoDontic1. A CEO Lorraine Marcondes afirma que Minas Gerais reúne condições para avançar, com Belo Horizonte como mercado prioritário na prospecção atual e municípios mineiros com mais de 40 mil habitantes também no radar1.
A franqueada Susan Piassi, da unidade de Passos, converteu sua clínica em 2024 e, dois anos depois, adquiriu uma segunda unidade1. O caso ilustra o percurso que a rede descreve, mas uma trajetória individual não substitui a análise financeira detalhada por praça. A rede informa que não trabalha com meta numérica fechada para conversões e avalia cada candidato pela aderência ao modelo, infraestrutura disponível e localização1.
O que a fonte não traz, e que o candidato deve levantar diretamente com a franqueadora, inclui o valor de royalties, taxa de franquia, taxa de propaganda, prazo de contrato, condições de exclusividade territorial e histórico de faturamento desagregado por praça e por porte de cidade. Esses itens constam obrigatoriamente na Circular de Oferta de Franquia, mas o detalhamento por perfil de unidade e por região é o que permite comparar o modelo de conversão com a abertura do zero de forma realista. Ter uma clínica que já funciona pode reduzir o desembolso inicial, mas não elimina a necessidade de avaliar se a estrutura de custos recorrentes da franquia é compatível com a rentabilidade que a operação atual já entrega.