Rede de cirurgia refrativa abre modelo de franquia baseado em projeção de 30 pacientes por mês, mas volume varia conforme a praça.
A Ocular Laser Brasil entra no mercado de franquias com investimento médio de R$ 500 mil por unidade e projeção de faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões ao final de um ciclo de expansão que vai até dezembro de 20311. Os números são da própria rede e partem de uma simulação baseada em média de 30 pacientes por mês em cada praça.
O fundador e CEO, o catarinense Valter Jobim, tinha experiência prévia na indústria farmacêutica antes de migrar para a saúde ocular1. A lógica que ele transportou é a de gestão comercial estruturada, com metas, treinamento, acompanhamento de indicadores e remuneração por resultados, aplicada a um setor que, segundo ele, ainda não operava dessa forma no Brasil. A empresa se concentra exclusivamente na correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia por laser.
Hoje a rede tem três unidades próprias e 11 operações conveniadas em oito capitais, e já realizou mais de 10 mil procedimentos e 12 mil avaliações1. O plano franqueado prevê dez unidades em funcionamento até o fim de 2026, vinte até 2027 e entre 50 e 100 até dezembro de 2031, o que a empresa descreve como multiplicar por dez o faturamento em cinco anos1.
A tese de mercado que sustenta o plano vem de dados globais. Um estudo publicado na revista científica Ophthalmology projeta que a miopia poderá atingir 4,758 bilhões de pessoas até 2050, equivalente a 49,8% da população mundial, com quase 1 bilhão podendo desenvolver alta miopia1. A Organização Mundial da Saúde estima que pelo menos 2,2 bilhões de pessoas vivam com algum grau de deficiência visual, sendo que em pelo menos 1 bilhão desses casos o problema poderia ter sido prevenido ou ainda não recebeu atendimento adequado1. Para o candidato a franqueado, esses dados sugerem demanda estrutural ampla, mas a distância entre demanda potencial e volume real de procedimentos tende a variar bastante conforme o perfil da praça.
A decisão de crescer via franquia veio dos limites da expansão com capital próprio. Equipamentos de alto custo, centro cirúrgico, licenças sanitárias, equipe especializada e gestão local tornam cada unidade própria cara e lenta de abrir, segundo a empresa1. O modelo franqueado permite avançar em cidades onde já existem oftalmologistas com acesso a equipamentos ou centros cirúrgicos estruturados. O suporte previsto inclui comunicação, treinamento, relacionamento com médicos parceiros, acompanhamento de indicadores e orientação de gestão1.
A especialização em um único procedimento pode ser tanto um diferencial competitivo quanto um fator de concentração de risco: a operação depende de volume consistente de pacientes elegíveis para cirurgia, algo que tende a variar com o porte e o perfil demográfico da praça. A fonte não detalha royalties, taxa de franquia, prazo contratual nem payback estimado por unidade, informações que a COF obriga a rede a apresentar na Circular de Oferta de Franquia e que o candidato deve exigir e comparar antes de qualquer decisão. A pergunta que fica é objetiva: em qual praça específica a média de 30 pacientes por mês projetada pela rede é factível, e o que acontece quando esse volume não é atingido?
Uma rede que aposta na especialização cirúrgica como principal argumento de marca precisa demonstrar, praça a praça, que o volume de demanda real sustenta a operação antes do contrato ser assinado.