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Notícia · Mercado Franquia

O que a recuperação judicial de gigantes do varejo ensina ao franqueado

Juros altos, governança fraca e dependência de crédito derrubaram Casas Bahia e Tok&Stok; franqueados enfrentam os mesmos fatores em suas unidades.

Redação Mercado Franquia·31 de ago. de 2026 · 20:38·3 min de leitura·Redação MF · com IA
O que a recuperação judicial de gigantes do varejo ensina ao franqueado

A Casas Bahia oficializou pedido de recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas, após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 20261. No mesmo movimento, o grupo controlador das Lojas Marabraz protocolou recuperação judicial com débitos de R$ 140,2 milhões, e o Grupo Gennius, dono do Habib's e do Ragazzo, obteve tutela cautelar para suspender execuções de dívidas de R$ 312,41 milhões1. O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, pediu recuperação em maio, citando juros elevados e endividamento das famílias como causas centrais1.

O varejo trabalha com margens estreitas e volumes altos, o que cria dependência permanente de capital de giro2. Uma empresa pode estar abrindo lojas e aumentando receita enquanto constrói, silenciosamente, as condições para uma futura crise2. Essa lógica vale para redes de qualquer porte, inclusive franquias de varejo e de alimentação que operam com estoque pesado ou crediário próprio.

Entre janeiro e abril deste ano, houve 268 pedidos de recuperação judicial, envolvendo 602 empresas, segundo dados compilados pela Serasa Experian. Em 2025, foram apresentados 977 processos, recorde da série histórica1. O movimento não representa uma derrocada generalizada do comércio, mas uma crise aguda concentrada nas companhias que vendem bens duráveis, porque esse modelo depende estruturalmente de crédito farto e prazos longos de parcelamento1.

Dívida Casas Bahia
R$ 17,3 bi
pedido de recuperação judicial em ago/2026
Pedidos de RJ (jan–abr/2026)
268 processos
602 empresas envolvidas, dados Serasa Experian
Pedidos de RJ em 2025
977 processos
recorde da série histórica
Fonte: PEGN · ago/2026

A Selic saiu de 2% ao ano em agosto de 2020 para 15% em junho do ano passado. De março deste ano até agora, os cortes somaram apenas um ponto percentual, com a taxa atualmente em 14% ao ano1. Ana Paula Tozzi, CEO da consultoria AGR, especializada no varejo, resume o impasse: segundo ela, uma empresa com algum conflito ou fragilidade interna "só fica de pé com a taxa de juros a 5% (ao ano), mas não no patamar atual"1. Para o candidato a franqueado, a pergunta prática é se o modelo de negócio exige que a própria unidade tome crédito para manter estoque, e em que prazo esse custo consta no plano de negócios da rede.

O segundo vetor de risco revelado pelos casos é a governança interna. Na petição inicial da Marabraz, a crise é atribuída a uma disputa familiar que bloqueou o uso de imóveis como garantia para capital de giro1. Marcello Marin, CFO da Spot Finanças e mestre em governança corporativa, afirma que problemas dessa natureza "podem transformar uma crise administrável em uma crise de sobrevivência" quando os sócios deixam de tomar decisões ou passam a disputar o controle1. Thalita Almeida, professora da FGV Direito Rio, aponta que os sinais visíveis desse tipo de conflito são a "perda de talentos" e "a desconfiança e a instabilidade no relacionamento com fornecedores"1.

Governança fraca na franqueadora pode se manifestar para o franqueado antes de qualquer pedido formal, por meio de suporte que some, fornecedores com atrasos recorrentes ou manuais desatualizados. A COF obriga a franqueadora a divulgar sua situação financeira e pendências judiciais, mas não detalha o histórico de conflitos societários nem o modelo de tomada de decisão. Essas informações precisam ser buscadas diretamente na rede e, preferencialmente, em conversa com franqueados já em operação.

A lista de marcas que já passaram por recuperação judicial ou fecharam as portas, Mappin, Mesbla, Americanas, Marisa e Tok&Stok, mostra que escala e reconhecimento de marca não são proteção suficiente2. Redes grandes podem crescer abrindo unidades enquanto acumulam condições para uma crise futura. A saúde financeira da franqueadora é mais reveladora do que o número de lojas na vitrine.

Faturamento por segmento ABF74,3saúde ebeleza51,8alimentação40,5serviços30,8moda28alimentação(comércio)21,2casa econstrução16,4educação14,2hotelaria eturismoFonte · ABF · 2025

Fontes

PEGN1ago/2026
Veja Negócios2ago/2026
Associação Brasileira de Franchising32025
Imagem gerada por inteligência artificial
recuperacao-judicialrisco-financeirofranquiavarejoendividamento

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