As 20 maiores redes somam 21 mil operações, mas crescimento premia conhecimento de mercado sobre capital inicial.
As 20 maiores redes de microfranquias associadas à Associação Brasileira de Franchising (ABF) somaram 21.030 operações em 2025, alta de 17% sobre as 18.041 registradas em 20241. Essa mesma base de redes acumula, em média, mais de mil unidades cada uma1, o que, segundo Felipe Buranello, diretor de microfranquias da ABF, demonstra que possuem grandes operadores por trás.
O tamanho médio das redes líderes importa para o candidato porque o segmento dá sinais de ter avançado além da fase experimental. Redes com essa escala tendem a ser mais exigentes na seleção de franqueados e no acompanhamento operacional, o que pode ser tanto garantia de suporte quanto exigência de preparo.
Dos segmentos que lideram a expansão, 58% das operações estão em Serviços e Outros Negócios e 51% funcionam no modelo Home Based1. Os setores em destaque incluem marketing digital, limpeza, seguros, soluções financeiras, conveniência, bem-estar e educação complementar1. Para André Friedheim, sócio da consultoria Francap, o crescimento vem acompanhado de amadurecimento: após um ciclo de forte expansão, o segmento vem entrando em fase de maior qualificação, com menos espaço para modelos oportunistas1.
Esse amadurecimento muda a régua para quem entra. Antes de assinar, vale perguntar à franqueadora quais critérios ela usa para aprovar novos parceiros e qual o histórico de desempenho das unidades já ativas, especialmente fora das capitais, onde Friedheim aponta a maior frente de expansão nos próximos anos.
Uma das apostas concretas nesse movimento é a Vilesoft, empresa de tecnologia para gestão empresarial que opera franquias desde 20051. Após recomprar suas unidades durante a pandemia e reformular o modelo, a rede conta com cinco unidades em operação e projeta 22 novas franquias no Brasil até o fim de 2027, além de expansão nos Estados Unidos, onde está presente desde 2021, e na Europa, onde iniciou operações em 20251. O investimento inicial parte de R$ 8.5001, sem necessidade de loja, estoque ou estrutura física.
Em vez de territórios geográficos amplos, a rede passou a organizar franqueados por verticais setoriais: Transportes, Contabilidade e RH, Indústria e Avicultura1. Roger Maia, fundador e CEO da Vilesoft, explica a lógica: o ERP pode ser amplo, mas o problema do cliente é específico, e quando o franqueado conhece aquele mercado consegue entender melhor a necessidade e desenvolver o negócio a partir dela1.
Essa lógica setorial coloca uma pergunta prática no centro da avaliação: o candidato precisa chegar com conhecimento do mercado-alvo, não apenas com capital disponível. A franquia pode fornecer tecnologia e processos, mas a prospecção e o relacionamento com clientes B2B dependem da experiência que o franqueado já carrega. Perguntar à franqueadora como ela avalia e desenvolve esse conhecimento setorial é parte essencial da due diligence.
Friedheim aponta três vetores para os próximos anos: interiorização das marcas para fora das capitais, fortalecimento do home based e crescimento do número de multifranqueados, já que o investimento menor pode permitir reinvestimento mais rápido e abertura de outras unidades em alguns casos1. Roberto Kanter, professor do MBA de Marketing e Gestão Comercial da FGV e mentor na Endeavor, situa o movimento: o país vive um momento em que muita gente quer empreender, mas com cuidado em relação ao risco e ao investimento, e esse modelo entra exatamente nesse espaço1.
A COF que qualquer rede brasileira é obrigada a fornecer traz royalties, taxas, prazo, duração do contrato e situação financeira da franqueadora. O que ela não formata é o retorno esperado por praça e o payback real por perfil de franqueado. Em um segmento onde o conhecimento setorial do candidato é apresentado como o principal ativo, saber exatamente o que a rede entrega em tecnologia e suporte, e o que espera dele em capacidade comercial, é o que transforma uma boa proposta em um negócio bem calibrado.