Rede espanhola estreia franquias no país com foco em absorver propriedades existentes, modelo que exige menos capital mas reduz referências de rentabilidade para o investidor.
A Meliá Hotels International quer mais que dobrar sua presença no Brasil até 2030, saindo das atuais 12 unidades para 30 hotéis. A rede prepara uma estreia inédita no mercado local: a operação de franquias1. No plano está também a busca por um resort no Nordeste, segmento em que a rede espanhola tem presença relevante internacionalmente mas ainda não atua no país1.
Para quem avalia entrar nesse ecossistema, o modelo de crescimento escolhido pela rede é o primeiro sinal a observar. A Meliá não planeja desembolsar capital próprio na compra de imóveis nem construir a maioria das unidades do zero. A aposta principal é na conversão de hotéis independentes, em que o proprietário embarca a bandeira e passa a acessar a estrutura comercial, de distribuição e o programa de fidelidade da rede. "O mercado de conversões é gigantesco no Brasil", afirmou Renato Carvalho, diretor de expansão da Meliá no país1. Além de exigir menos capital, esse caminho tende a adicionar quartos ao portfólio mais rapidamente do que uma obra nova.
Duas marcas foram criadas para viabilizar essas conversões. A Affiliated by Meliá absorve hotéis que não atendem integralmente os padrões de uma bandeira tradicional. A The Meliá Collection, uma soft brand de luxo, é voltada a propriedades de categoria superior que querem preservar identidade própria1. Construções novas permanecem no radar, sobretudo para implantar integralmente uma bandeira de luxo, mas a própria empresa reconhece que esses projetos carregam riscos maiores.
A expansão no Brasil integra uma reorientação da companhia na América Latina intensificada nos últimos cinco anos. A Meliá concentrou esforços regionais em México e República Dominicana1. O Brasil passou a ser prioridade pela combinação de escala de mercado, pulverização entre independentes e baixa penetração de marcas internacionais nos segmentos de lazer, premium e luxo. "É um mercado com poucas marcas consolidadas", declarou Celia Maria Sarmiento Reys, diretora de desenvolvimento para a América Latina da rede1.
Essa pulverização pode ser lida como janela para quem entra cedo, mas também como ausência de referências consolidadas de rentabilidade por praça. A meta de fechar ao menos um novo contrato brasileiro ainda em 2026, afirmada pela empresa1, indica urgência real de expansão e pode significar maior abertura a negociações, mas exige que o investidor chegue à mesa preparado.
A fonte não traz valores de taxa de franquia, royalties, fundo de propaganda, prazo contratual nem projeções de retorno por unidade ou por praça. Esses itens devem constar da Circular de Oferta de Franquia (COF) antes de qualquer pré-contrato, e precisam ser solicitados diretamente à rede. Perguntas centrais para o candidato: quais marcas serão ofertadas em franquia no Brasil? As condições de rescisão protegem o investidor em caso de não atingimento de metas? Há histórico de unidades franqueadas na América Latina que permita comparar resultados?
A Meliá chega ao modelo de franquias no Brasil apostando num mercado que ela própria descreve como pouco consolidado, e é exatamente essa ausência de referências estabelecidas que torna a due diligence do candidato mais, não menos, necessária.