Com 890 unidades, a rede posiciona a franquia como propriedade de espaço self-service, não como negócio operado.
Quando a franquia se parece mais com um imóvel alugado do que com um negócio operado, o risco muda de endereço. A Lavanderia 60 Minutos, rede do Grupo Hi, posiciona seu modelo self-service exatamente nessa fronteira: o franqueado entra como proprietário do espaço, e a receita vem da demanda que a rede consegue canalizar para aquele ponto. O que não fica claro é se existe garantia contratual de ocupação mínima ou se a renda depende do desempenho comercial da franqueadora.
O contexto setorial ajuda a entender por que esse modelo ganhou tração agora. O franchising brasileiro faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, com base operacional de 204.908 unidades1. Dentro desse avanço, o segmento de Limpeza e Conservação cresceu 13,8% no trimestre, puxado por modelos de autosserviço e operações com menor dependência de mão de obra intensiva1.
A mudança não é só de número. É de perfil de comprador. Parte dos candidatos deixou de avaliar a franquia como alternativa de trabalho e passou a tratá-la como alocação financeira, comparando payback, recorrência e capacidade de replicar a unidade sem multiplicar complexidade. "O novo franqueado compara franquia com investimento. Ele quer saber qual é a eficiência da operação, qual é o suporte real da rede, se existe tecnologia para reduzir erros e se aquele negócio pode crescer além da primeira unidade. Quem não entrega inovação, tecnologia, praticidade e economia fica para trás", afirmou Isaelson Oliveira, fundador e CEO do Grupo Hi, ao Portal do Franchising (04/08/2026).
Para a Lavanderia 60 Minutos, a tese repousa sobre três vetores que a própria rede cita: moradias menores, rotinas urbanas mais intensas e maior aceitação do autosserviço. A recorrência da demanda torna o modelo menos dependente de impulso de consumo; a automação reduz parte da complexidade operacional. A rede afirma ter encerrado 2024 com cerca de 1,5 milhão de clientes fidelizados, número autodeclarado pelo Grupo Hi e não auditado de forma independente.
O investimento de entrada, as taxas de franquia, royalties e a composição da receita do franqueado não constam nas informações divulgadas. Para quem avalia o modelo como ativo de renda, a franqueadora é a fonte desses dados, e deles depende a conta de payback que separa o modelo de ativo de uma promessa de faturamento.
A própria fonte reconhece o limite: serviços recorrentes não estão imunes à desaceleração econômica, à pressão de custos e à necessidade de execução rigorosa. "Com juros altos, ninguém pode vender franquia apenas com promessa de faturamento. O investidor quer uma equação completa: custo de implantação, previsibilidade de demanda, automação, suporte, dados e possibilidade de abrir novas unidades sem multiplicar complexidade na mesma proporção", disse Oliveira.
A próxima etapa declarada pelo Grupo Hi é chegar a 1.400 lojas até o final de 2026, partindo de 890 unidades ativas ao fechar 2024. O argumento que sustenta a expansão é o mesmo que ancora a proposta ao franqueado: formar operadores multiunidades com governança e visão de longo prazo.