Associação projeta crescimento de 9,7% no primeiro semestre de 2026, com lavanderias, saúde e delivery liderando os ganhos do segundo trimestre.
O setor de franquias brasileiro faturou R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026, com crescimento nominal de 9,7%1, segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para quem avalia entrar em uma rede agora, o dado mais relevante não é o número em si, mas o contexto em que ele foi gerado.
A ABF afirma que o resultado foi obtido sob juros elevados, inflação pressionada, restrição de crédito e endividamento das famílias2. Crescer nessas condições pode indicar que a demanda pelos segmentos mais fortes é estrutural, não sazonal, mas o candidato a franqueado deve verificar como cada rede específica atravessou esse período, porque o desempenho agregado do setor não garante o de uma unidade isolada.
No segundo trimestre (abril a junho), o faturamento foi de R$ 76,3 bilhões, com alta de 9,3%1. O ritmo foi menor que o do primeiro trimestre, que registrou incremento de 10,1%1, e a Páscoa em abril, período historicamente favorável para alimentação, não foi suficiente para sustentar o passo anterior. O arrefecimento, por si só, não é alarme, mas merece atenção de quem projeta retorno com base em curvas de crescimento passadas.
Os três segmentos que mais cresceram no segundo trimestre sinalizam onde a demanda está firme. Limpeza e Conservação liderou, com alta de 17,6%, puxada pelas lavanderias expressas e de autosserviço2. Saúde, Beleza e Bem-Estar avançou 15,2%, sustentado por cuidados pessoais, academias, clínicas odontológicas e serviços para idosos1. Alimentação e Food Service cresceu 13,7%, com entrega por aplicativo e sorveterias na dianteira1. Os três atendem necessidades recorrentes, perfil que tende a resistir melhor quando o consumidor corta gastos, mas essa característica do segmento não isola a unidade dos riscos de gestão e de praça.
O presidente da ABF, Tom Moreira Leite, resume a tese: "O consumidor pode adiar a compra de bens duráveis, mas continua frequentando farmácias, academias, clínicas, lavanderias, minimercados, cafeterias e serviços de alimentação"1. A lógica é válida como orientação de portfólio, mas o candidato deve checar se a unidade que pretende abrir fica em uma praça onde essa demanda já existe ou ainda precisa ser criada.
O setor encerrou o segundo trimestre com 207,2 mil unidades em operação, acréscimo de 6.652 em relação ao mesmo período de 2025, e 1,8 milhão de empregos diretos, alta de 58.5661. A ABF não divulgou dados sobre encerramentos ou repasses de unidades1, informação que faria diferença para avaliar a saúde real da expansão. Perguntar à franqueadora quantas unidades foram encerradas ou repassadas nos últimos dois anos é uma das primeiras diligências que o candidato deve fazer.
Para o restante de 2026, a ABF mantém projeção de crescimento de 8% a 10% no faturamento e expansão de 2% a 4% no número de redes e de 1% a 3% nas operações1. A entidade lista a transição da Reforma Tributária como obstáculo adicional1. O impacto real sobre os custos de cada modelo de negócio depende da estrutura tributária da rede e não pode ser estimado sem as informações da Circular de Oferta de Franquia. Pedir à franqueadora uma projeção de caixa que já contemple o novo regime é uma pergunta que o processo de due diligence não pode deixar passar.
O setor cresceu, os segmentos de conveniência e bem-estar lideraram e o ambiente macroeconômico foi hostil. O candidato que souber traduzir esse conjunto em perguntas certeiras à franqueadora estará mais perto de uma decisão sólida do que aquele que lê o número agregado como garantia de resultado.