Diagnóstico ABF/Praxis mostra que 80% das redes operam com inteligência artificial, mas 81% apontam expansão como principal desafio do setor.
Quatro em cada cinco redes de franquia de educação já incorporaram inteligência artificial à operação, e ainda assim a tecnologia aparece como um dos principais desafios do setor para este ano1. A aparente contradição tem uma explicação que atravessa o levantamento: a fase de experimentação está se encerrando, e a próxima exige provar que a IA move indicadores de negócio, não apenas automatiza tarefas.
O Diagnóstico Setorial de Educação 2026, realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), por meio da Comissão de Educação, em parceria com a Praxis Business, ouviu 27 redes que somam 4.997 unidades franqueadas e 5.050 operações no total, das quais 99% são franqueadas1. Entre as aplicações mais frequentes estão gestão operacional e marketing, citadas por 69,2% das marcas; conteúdo didático e personalização, com 57,7%; e tutoria via chatbot, com 42,3%. Outros 11,5% ainda não utilizam a tecnologia, mas planejam adotá-la nos próximos 12 meses1.
Para o candidato a franqueado, essa transição importa diretamente. Redes que já automatizam processos comerciais tendem a oferecer mais suporte na qualificação de leads e na conversão de alunos, mas a diferença entre ter IA e gerar resultado com ela ainda não está mensurada de forma sistemática. Segundo Adir Ribeiro, CEO e fundador da Praxis Business, a lacuna central hoje é justamente a mensuração do impacto da tecnologia sobre receita, retenção e rentabilidade das unidades2. Antes de assinar qualquer contrato, vale perguntar à franqueadora quais indicadores operacionais mudaram desde que a IA foi adotada.
O cenário de expansão é robusto. A maioria das redes participantes abriu novas unidades franqueadas em 2025, totalizando 318 novas operações, e 70,3% projetam crescimento de faturamento na mesma base de lojas em 20261. Crescer, porém, permanece o maior gargalo: a expansão da rede foi apontada como principal desafio por 80,8% das marcas, seguida por crescimento do faturamento, com 61,5%, e recrutamento e retenção de equipes, com 46,2%1.
Há sinais de que o modelo de suporte de campo também está mudando. A pesquisa aponta que, em 2024, 43% das redes tinham consultores responsáveis por mais de 30 unidades cada; hoje esse percentual caiu para 16,7%1. A redução da carteira por consultor pode indicar mais atenção individualizada ao franqueado, mas o candidato que entra agora precisa confirmar qual é a estrutura de suporte da rede específica que está avaliando, pois esse dado não é padronizado entre as marcas.
Os multifranqueados representam outra frente de leitura relevante. Em 85,2% das redes é permitida alguma modalidade de multifranquia, mas 44,4% delas têm até 10% das unidades sob essa gestão, ou nenhuma1. Nas redes com 51 unidades ou mais, todas contam com multifranqueados1. Isso pode sinalizar que a cultura de multi ainda é incipiente em parte do setor, o que pode ser tanto um espaço de oportunidade quanto um indicativo de que a expansão individual ainda não encontrou modelo de escala consolidado.
No campo da performance, 53,8% das franqueadoras e 53,8% das unidades franqueadas pesquisadas registram margem líquida acima de 20%, e 92,5% das redes atingem o ponto de equilíbrio entre seis meses e dois anos1. São números que tendem a atrair o candidato, mas refletem a amostra de redes que aceitaram participar do diagnóstico, não necessariamente o universo completo do setor. Investimento inicial, prazo de contrato e royalties específicos de cada marca seguem como perguntas que apenas a COF da rede escolhida pode responder.
O setor de educação em franquias parece estar num ponto em que crescer sem gerir de perto pode custar caro: antes de assinar, o candidato precisa confirmar em qual estágio dessa curva de expansão a rede se encontra, especialmente qual é sua estrutura de suporte de campo e quais indicadores operacionais mudaram desde a adoção de IA.