De 22 mil para 62 mil centros fitness em dez anos, o setor feminiza liderança enquanto enfrenta saturação local.
O Brasil saiu de 22.581 centros de atividades físicas em 2015 para 62.718 em 2025, segundo a quarta edição do Panorama Setorial Fitness Brasil1. Quando um setor quase triplica sua base de estabelecimentos em uma década, o mapa de oportunidades e o mapa de saturação passam a se sobrepor. O mesmo estudo projeta que o país ultrapasse 70 mil unidades até 2027. Em quantidade absoluta, o Brasil já ocupa a segunda posição mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para quem avalia uma franquia no segmento fitness, esse volume muda o critério de entrada. Densidade de concorrência e disponibilidade de praça precisam vir antes da escolha de marca. A notícia não informa os valores de investimento, taxa de franquia ou royalties da Ultra Academias, informações que a rede precisa ser consultada para detalhar.
A expansão, porém, não é só numérica. O Panorama descreve um processo de feminização do setor, com mais mulheres assumindo funções de gestão, a condição de franqueadas e posições de investidoras. A Ultra Academias, fundada em 2021, exemplifica essa transição: a rede soma mais de 100 unidades em operação, presença em 16 estados e cerca de 300 mil alunos atendidos, com 13 mulheres à frente de 29 espaços.
Cristiane Lopes, franqueada da rede em Brasília, descreve a mudança de percepção do mercado: "Durante muitos anos, eu entrava em salas com quinze homens e era a única mulher falando de números e investimento. Isso mudou. Hoje, os investidores sentem segurança quando percebem que o dinheiro deles está nas mãos de uma mulher", afirma. Ivete Gama, sócia e diretora de marketing da Ultra Academias, enquadra o movimento como estratégia, não exceção: "Quando a gente olha para as unidades que têm mulheres puxando a liderança, a diferença aparece nos detalhes: no cuidado com o ambiente, na relação com o aluno, na forma como a equipe é orientada", diz.
A franqueada Catiele Lustosa, que migrou da área de tecnologia da informação antes de assumir uma unidade, aponta um efeito prático: a presença feminina na gestão aproxima o atendimento de alunas que convivem com insegurança em relação ao corpo, dupla jornada e retorno aos treinos após a maternidade. O argumento conversa com uma tensão que o próprio Panorama registra: parte expressiva da população brasileira ainda permanece fora das academias. Crescimento de oferta e subpenetração de demanda coexistem no mesmo setor.
O estudo aponta que mais de 1,27 milhão de profissionais registrados nos conselhos de Educação Física, Nutrição e Fisioterapia sustentam a interiorização do setor e a diversificação dos modelos de operação. A Ultra, por sua vez, afirma querer continuar liderando essa mudança "não apenas com discurso, mas com prática diária, visibilidade e inspiração", segundo a própria rede.