Com 20 anos de operação e R$ 200 milhões de faturamento, a Ecosmetics converteu distribuidoras em franquias e já soma 220 unidades em sete meses.
A Ecosmetics chegou ao franchising com o trabalho mais difícil já feito: produto consolidado, fábrica em escala e presença em mais de 70 países. O que ainda faltava era o modelo de expansão certo para multiplicar pontos de venda no Brasil sem perder controle da marca. A resposta veio no início de 2026, e em sete meses a rede já acumula 220 unidades, segundo reportagem da PEGN (ago. 2026). O movimento não foi apressado. O fundador Edson Borgo contratou uma consultoria especializada e levou cerca de um ano e dois meses formatando o modelo antes de abrir para investidores. A filiação à Associação Brasileira de Franchising foi parte da estratégia de credibilidade desde o primeiro dia, não uma consequência do crescimento.
A base da rede veio de dentro: dos aproximadamente 230 distribuidores que a Ecosmetics mantinha no Brasil, 195 passaram para o formato de franquia. Os demais encerraram a operação. Novos investidores completaram o número atual de 220 unidades. Para Borgo, a virada para o franchising criou um diferencial claro num segmento saturado. Com mais de 6 mil marcas concorrendo na distribuição de cosméticos, número citado pelo próprio fundador, a filiação ao modelo de franquias abre acesso a feiras especializadas e a um perfil de investidor que não chegaria pelos canais B2B tradicionais.
A história que chega ao candidato a franqueado é longa. A empresa nasceu em 1999, em Teixeira de Freitas (BA), com um fogareiro e uma pá de madeira no quintal de casa. A formalização veio em 2002, com R$ 30 mil investidos num galpão de 290 m². O portfólio saiu de 20 para 380 produtos. A planta atual ocupa 10 mil m² e produz 24 toneladas por mês. A partir de 2015, a marca exporta. Hoje, o mercado externo responde por entre 28% e 32% do faturamento, com centros de distribuição em Portugal e nos Estados Unidos. Vinte anos de operação indicam que o produto funciona. O que eles não indicam é como o modelo de franquia vai performar em escala.
É aqui que o candidato precisa ir além da história da fundação. A notícia não traz investimento inicial, taxa de franquia, royalties nem prazo de contrato, itens que a rede é obrigada a detalhar na Circular de Oferta de Franquia. Também não há dados sobre desempenho médio por unidade nem sobre como a franqueadora planeja distribuir territórios nos próximos dois anos, quando a meta é chegar a mil unidades. A conta de risco para quem entra agora é essa: uma franqueadora com 20 anos de produto e R$ 200 milhões de faturamento reduz a dúvida sobre a viabilidade do negócio. Mas 220 unidades abertas em sete meses, com meta de quadruplicar até 2028, significa que o mapa de territórios disponíveis já está sendo preenchido rápido. A pergunta que o candidato precisa responder com a rede é simples: qual praça ainda está aberta e o que a franqueadora projeta para ela?