Rede gaúcha de treinamento personalizado cresceu 151% no primeiro semestre de 2026, chegando a mais de 120 contratos assinados, enquanto 16 unidades aguardam implantação.
No primeiro semestre de 2026, a Doctor Fit registrou faturamento de R$ 11,15 milhões, avanço de 151,1% frente ao mesmo período do ano anterior, quando a rede havia faturado R$ 4,44 milhões1. O recorte das unidades que já operavam nos dois períodos revela outra dimensão do resultado, com crescimento de 36,75% entre elas1, ritmo que reflete maturação das operações existentes, não apenas abertura de novas unidades.
A rede nasceu de um percurso pouco convencional. A fundadora Clarissa Rios era atleta profissional de basquete quando, aos 23 anos, descobriu um tumor no fêmur durante investigação de dores no quadril1. O diagnóstico inicial recomendou o abandono de atividades de impacto, encerrando sua carreira nas quadras. Formada em Educação Física e com mestrado na área, ela decidiu cursar Medicina para entender como o exercício poderia funcionar como ferramenta de recuperação e prevenção1. Foi durante a graduação que estruturou a metodologia que daria origem à Doctor Fit.
Para quem avalia essa rede, o ponto de partida técnico da fundadora não é detalhe decorativo, pois ele define o posicionamento do negócio. A proposta não é competir com academias convencionais de volume, mas ocupar o espaço entre a academia tradicional e quem precisa de exercício adaptado, como gestantes, pessoas pós-cirúrgicas e indivíduos com limitações físicas, segundo Clarissa1. Esse recorte tende a exigir profissionais capacitados na metodologia em cada unidade, o que convém investigar junto à franqueadora.
O nicho declarado tem um endereço etário claro. A empresa afirma que mais de 20% dos clientes da rede têm acima de 60 anos, e a meta anunciada por Clarissa é concentrar a operação no público acima de 40 anos1. Esse segmento pode apresentar comportamento de consumo menos volátil do que o de academias de estética, mas também pode demandar protocolos mais rígidos e eventual interface com prescrição médica, variável que impacta diretamente o modelo de atendimento de cada unidade franqueada.
A estrutura societária evoluiu com a rede. A gestão de negócios foi conduzida junto com o irmão Guilherme, e Clarissa afirma ter cursado MBA em franquias para entender o modelo que estava construindo1. Hoje divide a gestão com sócios e equipe profissionalizada, mantendo-se mais próxima da estratégia e da parte técnica. Das 70 unidades abertas atualmente, três são próprias e as demais operam pelo modelo de franquia, com 16 em implantação e mais de 120 contratos assinados1.
O investimento médio por unidade está entre R$ 134 mil e R$ 184 mil, segundo dados apresentados pela própria empresa1. A fonte não detalha royalties, taxa de propaganda, prazo de contrato nem política de exclusividade territorial. Esses itens constam na COF, mas as condições práticas por praça, como payback real e resultado líquido por perfil de unidade, precisam ser perguntadas diretamente à franqueadora.
Uma rede que mais que dobrou de receita em um ano e ainda tem contratos aguardando implantação cresce rápido o suficiente para testar a capacidade de suporte ao franqueado. A pergunta mais relevante antes de assinar é se a estrutura de expansão acompanha o ritmo das vendas de franquia.