Maior rede de óculos da América Latina nomeia coCEO financeiro enquanto analisa reestruturação; franqueados enfrentam incerteza sobre suporte operacional.
A dívida bruta da Chilli Beans passou de R$ 216 milhões em dezembro de 2023 para R$ 290 milhões em 2024, conforme documentos não auditados citados pelo NeoFeed1. Fontes próximas à empresa foram além: disseram ao mesmo veículo que, ao fim do ano passado, o endividamento já estaria próximo de R$ 600 milhões1. Para quem avalia entrar em uma rede com mais de mil pontos de venda, essa escalada de passivo é o primeiro dado a colocar na balança.
A rede, descrita como a maior de franquias de óculos de sol, armações de grau e relógios da América Latina1, estaria analisando um pedido de recuperação judicial como caminho para contornar a situação. Segundo o NeoFeed, os documentos para protocolar o processo estariam sobre a mesa do fundador Caito Maia para assinatura. A companhia, porém, não confirmou o eventual pedido1.
Em paralelo, a empresa anuncia André Dela Togna como coCEO, com foco nas frentes financeira e de reestruturação. Maia permanece à frente de marketing, comercial e relacionamento com franqueados1. A divisão de papéis sinaliza que a empresa reconhece a necessidade de expertise específica para administrar a crise, sem apartar o fundador das relações com a rede, que conta com 1,3 mil pontos de venda1.
Um executivo da empresa disse à Mercado&Consumo que pandemia, alavancagem e pressão dos juros causaram enorme prejuízo aos cofres da rede1. Em novembro de 2025, o NeoFeed já havia reportado que a companhia contratou o UBS BB para buscar a venda de uma participação de 30% no negócio1. A busca por sócio, a possível recuperação judicial e a chegada de um coCEO focado em reestruturação formam um conjunto de movimentos que tendem a alterar a governança da franqueadora e, por consequência, as condições oferecidas à rede.
Para o candidato a franqueado, a situação levanta perguntas que a COF, embora obrigada a trazer a situação financeira da franqueadora e eventuais pendências judiciais, pode não responder em detalhe suficiente: como um eventual processo de recuperação judicial afetaria o suporte operacional às unidades? Os repasses de fundo de marketing seguiriam normais? O prazo do contrato oferecido hoje reflete o processo de reestruturação em curso? São perguntas que precisam ir diretamente à franqueadora antes de qualquer assinatura. O que a fonte deixa claro é que a maior rede do segmento vive uma inflexão, e entrar nela agora exige diligência redobrada.