Duas aberturas argentinas em sete dias: o que a expansão da Casa do Construtor exige saber antes de assinar.
Quando a Casa do Construtor inaugurou em Córdoba sua primeira unidade argentina, parecia um passo cauteloso. Agora, em menos de uma semana, a rede prepara duas aberturas simultâneas: Guaymallén, na região metropolitana de Mendoza, em 25 de julho, e Escobar, na província de Buenos Aires, em 4 de agosto1. O ritmo muda a leitura do movimento — e muda a pergunta que o candidato a franqueado no Brasil deveria fazer antes de assinar qualquer contrato.
A estrutura por trás das aberturas não é improvisada. Em 2024, a rede criou a Formatta Internacional, unidade de negócios dedicada exclusivamente à expansão fora do Brasil, com equipe própria: o vice-presidente Bruno Arena, o gerente Latam Ronaldo Rizzi e o analista Rafael Gavioli1. O modelo adotado nas três operações argentinas é o cross brand — que conecta a expertise operacional da Casa do Construtor a empreendedores já inseridos no mercado local, em vez de replicar o modelo brasileiro sem adaptação. Em Mendoza, a escolha por Guaymallén responde à concentração de construção civil, logística e agronegócio vitivinícola da região; Escobar funciona como porta de entrada para o maior mercado urbano da Argentina. A estratégia é deliberada, não de oportunidade.
Para quem avalia a franquia no Brasil, o sinal positivo é claro: uma rede que estrutura a internacionalização com unidade dedicada, treinamento presencial via Universidade Corporativa e homologação de fornecedores locais demonstra capacidade de sistematizar processos — exatamente o que sustenta a proposta de valor de uma franquia. Uma marca com presença internacional tende a agregar percepção de solidez para o franqueado nacional.
O contraponto, porém, é concreto. A Formatta Internacional tem equipe própria, mas as áreas de Marketing, Jurídico, Financeiro e Tecnologia da franqueadora são compartilhadas entre as operações nacionais e internacionais1. Separação formal não é necessariamente separação de atenção: quando o franqueador está simultaneamente abrindo lojas em três cidades argentinas, adaptando portfólio de equipamentos e formando equipes em outro idioma, essas áreas transversais podem enfrentar disputa de prioridade. Esse risco não aparece na COF — e é exatamente o tipo de pergunta que precisa ser feita diretamente à franqueadora antes de fechar o negócio.
Com o câmbio USD/BRL em R$ 5,16892, operar na Argentina exige atenção constante à estrutura de custos — o que adiciona complexidade de gestão financeira à franqueadora. Isso não invalida a estratégia, mas torna a pergunta central ainda mais urgente: o contrato de franquia prevê indicadores mínimos de tempo de resposta e suporte operacional para as unidades brasileiras, independentemente da agenda de expansão internacional do franqueador? Se a resposta não estiver no contrato, ela precisa estar na negociação.