Troca de CEO às vésperas do Natal cria incerteza sobre a vertical de entretenimento que a gestão anterior testou só em lojas próprias.
A Ri Happy, com cerca de 100 unidades franqueadas em operação no Brasil1, passa por uma virada de controle que o candidato a franqueado precisa acompanhar de perto. A BluSun Capital Partners S.A. anunciou a aquisição do Grupo Ri Happy, que engloba as marcas Ri Happy e PB Kids1. Os valores da transação não serão divulgados, segundo a empresa.
Héctor Núñez assume a presidência do grupo, retornando ao cargo seis anos depois de tê-lo deixado1. O executivo tem passagem como CEO do Walmart Brasil e ocupou posições de liderança na The Coca-Cola Company. Núñez substitui Thiago Rebello, que estava no comando desde 2024.
Em nota, a nova gestão afirma que a prioridade imediata será a execução do período comercial que reúne Dia das Crianças, Black Friday e Natal, com planejamento paralelo para a próxima fase de desenvolvimento com foco na experiência do cliente1. A declaração não detalha o que muda, ou permanece, da estratégia herdada.
E há muito herdado. Rebello conduzia uma aposta chamada Divertudo: espaços dentro das lojas físicas com brinquedotecas, trampolins e jogos de tabuleiro. Quando a vertical foi apresentada oficialmente a franqueados e parceiros em agosto, ela já estava em 13 lojas, todas próprias1. Nas unidades com a área de entretenimento, a rede afirma ter registrado aumento de vendas de 77% por m², crescimento de 2,5 vezes na recorrência de clientes e permanência média de 42 minutos, contra 11 minutos nas lojas sem o conceito1. A companhia estimava ainda crescimento de 51% no giro de produtos e redução média de 22% nos estoques1.
A questão central para o candidato a franqueado é exatamente essa: os números do Divertudo foram produzidos sob a gestão anterior em lojas próprias sem rollout definido para franquias. A PEGN buscou a nova gestão para confirmar se os planos para a vertical serão mantidos e não obteve retorno até o fechamento da matéria1. Isso significa que, no momento, não há confirmação pública sobre se franqueados poderão, ou deverão, implementar o conceito.
Para quem avalia entrar na rede, a troca de controle pode representar tanto uma janela de reposicionamento quanto uma fonte de incerteza operacional. O modelo Divertudo pode ser mantido, adaptado ou abandonado, a fonte não permite cravar nenhum desses desfechos. Investimento adicional para implementar a área de entretenimento, impacto sobre royalties, prazo de implantação e critérios de elegibilidade para franqueados são questões que cabem ser levadas diretamente à franqueadora antes de qualquer decisão.
O que a mudança de controle não responde ainda é exatamente o que o franqueado mais precisa saber: para onde vai a rede sob nova gestão.