A Anjos Colchões & Sofás documentou plano de transição entre fundador e herdeiro, raridade que afeta cerca de 257 franqueados.
Quando o pai fundou e o filho vai herdar o comando, o que protege quem comprou uma franquia no meio do caminho? A Anjos Colchões & Sofás tornou essa pergunta concreta: Leonardo dos Anjos, 34 anos e diretor de franquias da rede, deve assumir o comando da empresa quando completar 40, num processo conduzido com o Conselho de Administração e metas de capacitação definidas. O caso foi detalhado pela PEGN (09/08/2026) e é raro em sua transparência. Na maioria das redes familiares, o plano de sucessão não existe no papel nem consta em nenhum documento que o candidato receba antes de assinar.
A divisão de papéis hoje já antecipa a transição. Claudinei dos Anjos, 57 anos e fundador, concentra a gestão da fábrica como diretor-geral. Leonardo responde pelo varejo e pela expansão via franquias. As cerca de 10 lojas próprias convivem com aproximadamente 257 unidades franqueadas no Brasil, Chile, Paraguai e Argentina1. A rede mantém três fábricas, frota própria para abastecimento e aproximadamente 700 funcionários diretos.
A tensão entre os dois é declarada, não escondida. "Não são só flores. Como em toda empresa familiar, temos divergências de opinião", afirma Leonardo1. Enquanto o pai, segundo o próprio filho, prioriza cautela e estrutura antes de qualquer salto de escala, Leonardo se define como alguém voltado à expansão contínua. A diferença de ritmo é o risco interno que o plano de sucessão precisa administrar, e é exatamente o tipo de informação que raramente aparece no processo de seleção de franqueados de uma rede familiar.
Do ponto de vista financeiro, a rede cobra uma taxa de royalties mensal em torno de 5% do faturamento bruto1. O investimento parte de R$ 450 mil para lojas a partir de 150 m² (o modelo pode chegar a 700 m², com valor proporcional), com taxa de franquia de R$ 85 mil e taxa de publicidade de 2% sobre as compras1. A empresa informa faturamento médio de R$ 150 mil por mês e lucro líquido entre 15% e 25% sobre o faturamento, números auto-reportados pela rede, não auditados. O payback estimado fica entre 18 e 24 meses, com prazo mínimo de abertura de 60 dias. A Anjos não divulga o faturamento consolidado do grupo.
A meta declarada pela Anjos é chegar a 1.000 lojas, número que Leonardo define como o ponto de partida para transformar a rede numa empresa centenária1. Para chegar lá, a rede prioriza franqueados com perfil comercial, concentrados hoje majoritariamente na Região Sudeste, onde a empresa enxerga o maior potencial de adensamento. No exterior, além das cinco unidades no Paraguai, onde a rede opera há 12 anos, e das unidades na Argentina e no Chile, há negociações em andamento para entrar nos Estados Unidos e em Portugal.