Com 62.718 estabelecimentos ativos no Brasil, setor fragmentado (80% com uma unidade) atrai franquias que oferecem padronização e suporte operacional.
O número de academias com CNPJ ativo no Brasil saltou de 22.581 para 62.718 entre 2015 e 2025, avanço de aproximadamente 178% em dez anos1. É nesse cenário que redes de franquia fitness começam a competir não só por alunos, mas também por investidores que antes abriam negócios independentes.
A expansão, porém, não concentrou o mercado: cerca de 80% dos estabelecimentos possuem uma única unidade, proporção semelhante opera com equipes de até dez funcionários e mais da metade atende entre 101 e mil alunos1. Para quem avalia entrar no setor, esse grau de fragmentação pode significar concorrência local intensa e baixa barreira de entrada, o que coloca pressão sobre diferenciação de serviço e escala de gestão como fatores críticos.
No franchising em geral, o segmento de saúde, beleza e bem-estar liderou o setor em 2025, registrando R$ 74,3 bilhões em faturamento e crescimento de 14,6% sobre o ano anterior, dentro de um total de R$ 301,7 bilhões e alta nominal de 10,5% para o franchising brasileiro1. Esses números situam o fitness dentro do segmento que mais movimentou o franchising, o que pode atrair mais redes e elevar a disputa por bons pontos comerciais.
A Ultra Academia, que a reportagem traz como caso de referência, afirma operar mais de 100 endereços, com 300 mil alunos ativos, presença em 16 estados e 45 cidades e faturamento de R$ 300 milhões nos 12 meses anteriores1. A rede informa que 90% de seus franqueados administram mais de uma unidade e que todas as unidades são operadas por franqueados1. Segundo Marcel Gandra, sócio-diretor da rede, "ver um operador decidir abrir a segunda, a terceira ou a quarta unidade é uma validação ainda mais forte" do modelo.
O dado sobre multifranqueados merece leitura cuidadosa. Uma taxa elevada de reinvestimento pode indicar satisfação com o modelo, mas a rede ressalva que novas aberturas exigem avaliação de capacidade financeira e operacional do franqueado, e que crescimento sem estrutura pode comprometer unidades já em funcionamento. Localização, custo de ocupação, concorrência e tempo de maturação seguem como variáveis independentes de qualquer taxa de reinvestimento da rede.
A estrutura de suporte descrita pela Ultra Academia inclui software próprio de gestão, controle de acesso por biometria facial, CRM integrado, pesquisas de NPS, auditorias de qualidade e mais de 200 horas de treinamento em plataforma interna para operadores, gerentes e equipes comerciais e técnicas1. Em um segmento onde equipamentos e propostas de treino se aproximam, o peso desse suporte na decisão de compra de franquia tende a crescer, mas o candidato precisa verificar, junto à rede, como esse suporte se traduz em resultados por praça específica.
A reportagem não traz investimento inicial, taxa de franquia, royalties, prazo de contrato nem payback médio por unidade. Esses dados integram a COF (Circular de Oferta de Franquia), que a rede é obrigada a entregar antes de qualquer assinatura. Perguntas adicionais que a fonte não responde: qual o desempenho de unidades abertas há menos de 24 meses? Como a rede distribui suporte entre mercados maduros e praças novas? Qual o percentual de unidades que encerrou operação nos últimos cinco anos? Um mercado que quase triplicou de tamanho em dez anos oferece espaço real de crescimento, mas também mais concorrentes para cada endereço.