Cacau Show, Grupo Boticário e Ortobom ocupam o topo; escala não garante rentabilidade por unidade.
Das 300 maiores varejistas do Brasil, 45 operam total ou parcialmente sob o sistema de franquia1. O dado é do Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), e questiona uma percepção comum de que franquia é tema restrito a pequenos negócios. Nas maiores operações de varejo do país, o modelo aparece como estrutura de escala, e isso tem implicações diretas para quem avalia entrar em uma dessas redes.
Entre as franquias presentes no ranking, a Cacau Show ocupa a liderança em número de lojas, com 4.308 unidades franqueadas de um total de 4.712 pontos de venda, posicionada na 40ª colocação geral1. O Grupo Boticário aparece em 5º lugar no ranking geral, com 3.898 unidades totais, sendo 2.898 franqueadas1. A Ortobom fecha o pódio das franquias, na 63ª posição geral, com 2.400 lojas, das quais 1.900 franqueadas1. Redes com essa densidade de pontos de venda podem oferecer suporte operacional mais estruturado, mas também podem implicar regras de território mais rígidas, o que vale ser investigado antes de assinar qualquer contrato.
Por segmento, Moda, Calçados e Artigos Esportivos concentra 16 das 45 redes franqueadas no ranking, seguido por Foodservice com 13 representantes e Drogarias e Perfumarias com 51. A concentração em moda e alimentação sinaliza segmentos onde o franchising já demonstrou capacidade de replicação em larga escala. Para o candidato a franqueado, isso pode significar tanto processos mais maduros quanto mercados mais disputados.
O IRTT aponta a ausência do setor de Supermercados, ressalvadas as lojas de conveniência, e avalia que o franchising se torna menos atrativo para essas redes pelo alto investimento exigido na abertura e operação dos pontos de venda1. A lógica inversa também vale: segmentos com tícket de entrada menor tendem a se adequar melhor ao modelo, o que pode explicar parte da predominância de moda e alimentos no recorte.
O retrato mais amplo do varejo reforça o contexto. As 300 maiores empresas do setor somaram R$ 1,3 trilhão em vendas, concentrando 47,7% de todo o varejo brasileiro1. O grupo reúne 82.775 pontos de venda e emprega 1,7 milhão de pessoas1. Entre as 227 empresas com dados comparáveis, 77,1% cresceram acima da inflação no período analisado1. Estar no mesmo ecossistema dessas operações pode ser um diferencial para a rede, mas não garante desempenho individual. O candidato ainda precisará questionar à franqueadora qual é o retorno real por unidade e por praça, pois o ranking mede escala, não rentabilidade.
A lista mostra que escala e franquia andam juntas em vários dos maiores varejistas do país, mas o que o ranking não entrega é a equação de retorno por unidade, o prazo de maturação em cada território ou a estrutura de royalties de cada rede. Estar entre os maiores em número de lojas diz muito sobre a capacidade de expansão de uma rede; diz pouco sobre o que espera o franqueado na ponta.